AGENDA CULTURAL

25.9.17

Morre Célio Pinheiro: mentor e fundador da Academia Araçatubense de Letras

Célio Pinheiro
Sede da Academia Araçatubense de Letras

Hélio Consolaro*

Se não houvesse existido o professor Célio Pinheiro, talvez não haveria a Academia Araçatubense de Letras. Ou sua fundação teria sido postergada. Ele era uma pessoa empreendedora, aquilo que planejava  se transformava em realidade. 

A entidade (AAL) pode não ser a ideal, mas é por ela que a literatura local ganha visibilidade. Apesar de toda a sua erudição, professor Célio gostava das pessoas simples, por exemplo, o  patrono de sua cadeira, escolhido pelo primeiro acadêmico a ocupá-la  é Osmair Zanardi, um poeta jovem, que era garçom e fazia o Curso de Letras na Toledo. Zanardi morreu assassinado. 

Já tínhamos perdido o Célio, pois ele estava com a doença do "mal de Alzheimer" e na literatura a memória é tudo. Ele estava por aqui fisicamente, agora foi embora de vez. Meus sentimentos aos familiares.

É oportuno divulgar aqui a biografia e uma avaliação literária sobre Osmair Zanardi feitas pelo professor Célio Pinheiro, publicada na revista "Plural", da Academia Araçatubense de Letras.

LIVROS PUBLICADOS

"Oitenta anos de Os Sertões de Euclides da Cunha" (1982) - São Paulo. Editora Arquivo do Estado de São Paulo 

Sondagem em Literatura Portuguesa (3 volumes), 1997, Araçatuba, Edicom 

"Introdução à Literatura Portuguesa", São Paulo, Editora Pioneira, 1991

"História de Araçatuba", em coautoria de Odette Costa Bodstein, 1997, editado pela Academia Araçatubense de Letras

"Vagas vendidas - um vestibular incomum", romance juvenil, 2004, Editora Nankin, São Paulo

                            OSMAIR  ZANARDI 
     Estudo para o Grupo Experimental (25/06/2002)                                       
           
Por Célio Pinheiro                                                      

Biografia


O poeta nasceu na Fazenda Canela, na zona rural entre Birigui e Araçatuba, em 14 de janeiro de 1955. Seus pais foram Antônio Artur Zanardi e Angelina Casagrande Zanardi. Ele teve cinco irmãos: Dirce, Nair, Antenor, Isaura e Líria; os três últimos com problemas de surdez e mudez.
Ainda bem criancinha, sua família mudou-se para a zona rural de Guararapes. Lá, ele começou a freqüentar escola. Foi um ótimo aluno. Já na segunda parte do ensino fundamental (5a. à 8a. série), mudou-se com sua família para Araçatuba.

Aqui, instalaram-se nas proximidades do Jardim Planalto. Ele ficou um ano sem estudar, devido a enfermidade de seu pai; seu irmão Antenor teve que abandonar uma escola para surdos que freqüentava no Rio de Janeiro (então a capital federal do Brasil), a fim de trabalhar em Araçatuba. Osmair retornou aos estudos na Escola Estadual de Primeiro e Segundo Grau Clóvis Campos; ali concluiu  os ensinos básico e médio.

Ele sempre trabalhou para ajudar a família. Dois de seus serviços, que marcaram bem sua vida, foram o de auxiliar no Bar e Lanchonete “O gato que ri” e na secretaria da Faculdade de Odontologia – Unesp de Araçatuba, onde foi secretário CD-2.
Capa do livro

Sempre gostou muito de ler; Antenor lhe trazia livros do Rio de Janeiro. Começou a fazer poesia aos 10 anos de idade; registrava-as em um caderno especial. Seu desejo sempre foi editar um livro. Em 12/08/1971 (16 anos de idade) concluiu o manuscrito de pequena novela literária (cerca de 12 páginas digitadas) sob o título “Tragédia simples”, de boa força dramática.  

Era quieto, de pouco falar; pronunciava corretamente as palavras, com tonalidade masculina. Como pouco cumprimentasse os vizinhos, era tachado de orgulhoso. Era chamado, às vezes, de “Padre”.
A prof. Maria de Fátima do Nascimento, diretora de escola fundamental araçatubense, forneceu-me preciosas informações sobre o poeta Osmair Zanardi, pois estudou com ele no ensino médio (colegial) e no curso superior de Letras; a então professora do colegial Aldah de Lima organizou uma peça teatral de autoria de Osmair sobre Marília de Dirceu, de Tomás Antônio Gonzaga; para a peça, fizeram roupas de época e cenário mineiros; houve um mês e meio de preparação e nela Osmair declamava com grande emoção. Fátima iniciou o Curso de Letras em março de 1977 (Osmair com 22 anos de idade); eram 25 alunos em salas das Faculdades Toledo e o único homem era Osmair. Ele era aluno de ano anterior. O curso era noturno, às vezes aconteciam palestras aos sábados de manhã; durava dois anos e meio, com cinco termos (um por semestre), para Licenciatura curta (permitia lecionar só no ensino fundamental de 5a. a 8a. série). Estudavam Literaturas Brasileira, Portuguesa, Inglesa e Norte-Americana; Línguas Portuguesa, Latina e Inglesa; Lingüística,Teoria da Literatura e mais disciplinas pedagógicas, já que o curso superior formava professores para ensinos fundamentais e médios. Osmair freqüentava as aulas das 19h00 às 22h30 com algumas faltas. Quando ia, dominava a classe: era comedido, mas discutia com os mestres. Suas colegas tinham receio dele: sentava-se isolado, não se enturmava. Suas notas eram ótimas, sempre as melhores, era o melhor aluno da turma. A disciplina que mais o atraía era Língua Portuguesa, o que se pode notar pelos seus textos. Certa vez, um dos professores, Maria Aparecida de Godói Baracat, solicitou análise de um poema chamado “Cálice” e Osmair fez uma brilhante análise literária, principalmente na parte de fonética. Ele jamais brigou com alguém durante o curso. Tinha boa dicção, usava palavras consideradas “difíceis” para suas colegas. Não tinha bom gosto na escolha de roupas pessoais: eram sempre para pessoas mais velhas do que seus vinte e poucos anos; gostava de camisa branca, não usava “jeans”; sempre de óculos, cabelos bem penteados; não era, porém, “sexy”. Não aparentava homossexualismo: muito levemente seus gestos e posturas eram delicados. Osmair não “olhava” as moças da Faculdade, nunca se abria com qualquer comentário, a não ser raras vezes com Fátima. Nenhuma outra aluna de Letras (ou de outro Curso das Faculdades Toledo) o via como um possível companheiro sexual. Seu sonho era ser professor, contava a Maria de Fátima como planejaria suas futuras aulas. Fátima foi à casa de Osmair, no Jardim Planalto, duas vezes e conhecia a mãe dele: achava sua fisionomia materna séria, carrancuda.

Osmair trabalhava para manter-se e ajudar sua família; A Motril é outro exemplo de empresa araçatubense em que trabalhou. Sua atividade como servidor na Lanchonete “O gato que ri” (que ficava na Rua Princesa Isabel, número 172), antes de trabalhar na Faculdade de Odontologia, o fez conhecer um colega de trabalho, o jovem Ismar Gomes que acabou por assassinar o nosso poeta. O proprietário da lanchonete era Wilson Lujan. Ali, Osmair trabalhou com Ismar até 1977 e foi assassinado em 05 de março de 1979, quando já estava no último termo do Curso de Letras, próximo a se formar professor de Línguas.

Segundo informações colhidas com Antenor (irmão de Osmair), sua esposa, sra. Marilene Cardoso Zanardi,  no Segundo Distrito Policial de Araçatuba,  em entrevistas e pelo Boletim de Ocorrência número 766/79, de 05/03/1979, a morte de Osmair Zanardi ocorreu da seguinte forma: o  assassino Ismar voltava de um encontro amoroso em que manteve relações sexuais com uma moça chamada Solange e estava armado de revólver. Encontrou Osmair que vinha voltando da Faculdade, bem à noite, na rua Umberto Bergamaschi esquina com a rua Tomé de Sousa, só algumas quadras longe da casa de Osmair. Discutiram e Ismar atirou no poeta com um revólver Taurus, calibre 32. A bala acertou Osmair no peito pouco abaixo do mamilo direito e o matou em poucos minutos. Ismar fugiu e só foi preso em meados de 1980; alegou à polícia que o poeta o perseguiu, querendo manter relações sexuais, o que estranhou muito: nunca imaginou pederastia nele. Segundo o boletim da polícia, o poeta era epilético e todos os dias tomava um comprimido, não bebia álcool e não fumava. Já o testemunho de Marilene Cardoso Zanardi difere um pouco do boletim policial: Osmair e uma colega saíram cedo do Curso de Letras (mais ou menos às 20h30) e andaram da Faculdade até a Rua Marcílio Dias, na altura do Supermercado Aliança; num terreno baldio, ao lado, foram interpelados pelo assassino, que os seguira até ali; a moça correu. O assassino, acreditando em intenções libidinosas do poeta com a moça, atirou em Osmair. A polícia fez várias investigações que incluíram inquirições na Faculdade de Letras, inclusive com alguns professores; todos ficaram muito surpresos sobre o pretenso homossexualismo afirmado.

Após a triste morte do poeta, o jornal araçatubense “A Comarca” informava que “Um grupo de elementos, amigos do saudoso Osmair Zanardi, pretende editar um livro com suas poesias, algumas de fino lavor. Algumas estão em nosso poder (ele escrevia muito), outras colhemos com a professora Maria Aparecida Baracat, outras ainda com alguns colegas seus”. O jornalista responsável pela campanha em prol do livro era Itamar Perenha.

O livro Rosa de todos os ventos foi publicado em 1984, graças aos esforços , além de Perenha, de Hélio Consolaro (que fez o “boneco” e a datilografia em estêncil, como editor), de Maria Aparecida de Godoy Baracat, de Lúcia Maria Milani Piantino (que escreveu a biografia de Osmair), de Edna Flor e do então Departamento de Educação e Cultura da Prefeitura Municipal de Araçatuba. A Gráfica Araçatubense fez a capa. Este livro único de Osmair Zanardi foi publicado com 500 exemplares e está esgotado. Quem insistiu muito para que a edição saísse foi a mãe de Osmair; sabendo do grande desejo do filho, procurou Edna Flor que se uniu aos companheiros da realização.

 Análise de sua poética
 A análise da obra poética de Osmair Zanardi conduz à sua época literária – o Modernismo das décadas 1960 e 1970. Inferi que, nos movimentos literários desse período, duas correntes se sobrepõem, o Pós-Modernismo aliado a um Simbolismo de interiorização negativista.

 Tanto o Modernismo como o Simbolismo carregam a idéia de crise do homem e do mundo. A congruência cede lugar às dúvidas, os literatos vivem como frutos da crise de imagens entre a realidade e a idealidade. Querendo fugir do real, mergulham em fugas, em irrealidades. Por exemplo, no Simbolismo a realidade é substituída por símbolos, propondo a irrealidade; no Surrealismo  a realidade se transforma numa subrealidade, algo que os poetas  propunham a fim de dourar, minimizar ou substituir a dura realidade. Entre os poetas que iniciaram estas revoluções estão o norte-americano Walt Whitman e os franceses Apolinaire e Rimbaud; influenciaram poetas portugueses e brasileiros com o sentimento do real como uma ilusão – a mistificação (uma espécie de energia que vinha do tédio e do devaneio): a atenção se desvia do presente e as forças do inconsciente surgem, construindo a irrealidade das imagens poéticas.

Vejamos alguns exemplos dessas imagens na poética de Osmair Zanardi:
“Acalanto para a noite dormir” (p. 5 de Rosa de todos os ventos): “Altas horas da noite meu assobio / passeia pela rua deserta...”  -  a personificação de assobio transforma o substantivo num ser vivo, corporificado para caminhar pela rua deserta; isto é, o poeta fica alheio à realidade, ele não está presente – é o seu assobio que anda pela rua.

Idem, ibidem: “...nem mesmo um cão ladra na madrugada dos meus passos.”

Idem: “O assobio é a única forma real / dentro do mistério calado que abraça / as paredes e os postes em procissão iluminada.” 

“Matinas” (p. 45): “Um perfume doce há de embriagar todas as dores...”

“Cultivando” (p. 46): “Arada foi a terra, / pronta estava a sementeira; tomei o alforje e saí / a espalhar em todo o terreno / grãos de poesia.”

“Espera noturna” (p. 55): Estou aqui te esperando / faz muito tempo / e não chegas para juntos / bebermos deste copo que é / solidão e expectativa de vida.”

“ Ruínas” (p. 65): “Construí uma torre de silêncio / e nela fiz prisioneiras / as vozes do Dia...”

Por imagem, quero significar a representação (gráfica ou abstrata) de seres e sentimentos, isto é, manifestação sensível do abstrato ou do invisível.

A vida poética de Osmair Zanardi é feita de um lirismo indagador sobre a tristeza inerente à vida – a sua vida. Sua poesia está montada sobre quatro aspectos:
a  construção de imagens,
o domínio vocabular e frásico,
a infelicidade,
a busca da irrealidade.

Já vimos que nos versos de Zanardi imagem é representação de seres e sentimentos, manifestação sensível do abstrato ou do invisível. Seu domínio vocabular é fruto de inteligência, de cultura, de muita leitura e de capacidade de associação. Um bom exemplo de infelicidade com conseqüente busca da irrealidade podemos ler no seu poema “Convergência”, na p. 52 de Rosa de todos os ventos, que é um tristíssimo lamento do poeta.

Os primeiros modernistas eram contrários aos movimentos anteriores, formavam a “unidade do contra”. A grande novidade foi uma abertura lingüística: ver nossa língua portuguesa com traços brasileiros; mas disso poucos privilegiaram, inclusive o nosso Osmair Zanardi, pois ele, lingüisticamente considerando, prefere um português dentro das regras; assim é que no seu poema “Acalanto para a noite dormir” (p. 6) lemos: “A lua vem de uma nuvem e, indecisa, penetra outra...”; e no poema “É primavera”: “Havia uma relva verde / e de verde relva seu rosto rosa / brotava lânguido ao sol...”.   Contudo, revolucionariamente, a poesia de Zanardi não obedece às regras clássicas da versificação: seus poemas têm beleza musical modernista quase sem rimas e marcação silábica.
 

Os melhores textos

Reproduzo a seguir os poemas de Rosa de todos os ventos que acho mais bonitos.
“Acalanto para a noite dormir” (p. 5): Altas horas da noite meu assobio / passeia pela rua deserta, esbarra / nas paredes e janelas sem frestas... // Os que estão dentro das casas / não sabem o silêncio de fora / e o silêncio externo não imagina / o mutismo interior... // E meu assobio desassombrado / vai voando na calmaria noturna: / nem mesmo um cão ladra / na  madrugada de meus passos. // As calçadas retas levam o meu / caminhar incerto e deslizam como / esteiras rolantes. Parecem deslizar / aos meus olhos atentos ao chão. // Lá vai meu assobio na vanguarda, / fiel batedor abrindo a rua desnecessária: / sou muito pouco dentro dela... // Não há sequer marginais / conspirando nas esquinas e por isso / me assusto e me apresso mais: / o silêncio é muito difícil de aceitar, // mais que compreender o delinqüente / porque este tem sempre uma razão concreta / para se justificar, mas ao silêncio / só pertence um álibi: a noite imensa... // O assobio vai e é a única forma real / dentro do mistério calado que abraça / as paredes e os postos em procissão iluminada. // A lua vem de uma nuvem e, indecisa, / penetra outra: já vi inúmeras / luas e pedaços de lua nesta noite... // De repente, decido que meu / assobiar perturba a ordem das coisas: / se estão quietas devem ter lá seus argumentos. // Calo-me também e ambos, / a noite e eu, pomos a chave na porta / e entramos no abrigo do corpo... // Quando desligo os transístores, / horizontal como um morto bem comportado, / abrem-se no cérebro maroto janelas / que vão soltando sonhos / e os sonhos vão assobiando / no silêncio da madrugada!    
  
“É primavera!” (p.41): Quando na Primavera as borboletas esvoaçam, / Eu me lembro de você e de uma Primavera qualquer / Distanciada no tempo... // Havia uma relva verde / E de verde relva seu rosto rosa / Brotava lânguido ao Sol / E eu o contemplava / De tudo esquecido... // Então, uma grande borboleta pousou / Em sua face e, como tomado de / Um encantamento fantástico, / Seu corpo seguiu-a... // E na relva verde só restou o espaço vazio / Do lugar onde brotava o seu rosto! / Neste espaço, sepultei meu amor maravilhado / E hoje sou outro quando contemplo a rosa... // Por isso, quando chega a Primavera / As borboletas agitam-me na lembrança / Saudades quase esquecidas...

“Caminhada” (p. 35): Do vento não quero mais que um afago / que do rosto me leve a angústia / e da chuva só quero o perdão / para todos os meus pecados... // Alma exposta à natureza me deixo ficar / e sou purificado pela água e pelo raio. / Tenho êxtases de luz e abissais mergulhos; / depois refluo e sou inteiro outra vez... // Pêndulo oscilante entre os extremos / de um caminho deserto / abraço a chuva e me desfaço / em fogo e sou de novo resto... // Um dia os extremos se tocarão / e a estrada se volverá sobre si num grande nó / e serei prisioneiro eterno dessa contradição / que não se dissolve nem à chuva nem ao raio. // Vagarei, novelo de angústia / desfeito ao vento...

“Ruínas” (p. 65): Construí uma torre de silêncio / E nelas fiz prisioneiras / As vozes do Dia... // Então, a noite veio / Quieta como um réptil / E me pegou de surpresa / Debruçado na vigia das idéias... // Tive um sobressalto. / Podia ter feito qualquer coisa / Mas fiquei ali tolhido, / Apavorado, vendo as lembranças / Fugirem por uma brecha / No muro da saudade... // Gritando amedrontadas / Elas iam devoradas / Pelas sombrias corujas da noite... // E quando de novo raiou o Dia / Tudo continuou quieto / Porque as vozes tinham morrido / E eu estava vazio de ruídos... // E´ passado o tempo. / Ainda hoje aguardo / O tardio nascer de uma / Nova tranqüilidade brotando / Entre os escombros desta / Paz destroçada... // Não tarda e, de novo, / A Noite vem!
“Janela” (p. 24): Hoje volto e te encontro / Parada na mesma janela... / Não vejo pranto em teus olhos, / Apenas uma vaga luz. // Juro que não queria te encontrar assim / Com esses olhos tão secos de lágrimas / Contudo brilhantes de uma esperança / Que é quase fé, intuição de regresso... // Por que me esperaste? / Por que me estendes as mãos / Tão puras apesar de mais frágeis? / Por que não esqueceste? / Tu és a mesma, eu não. / Tu ainda sonhas, e eu? // Eu que um dia pus meus ideais / Numa valise de sonho e parti, / Volto sem ideal, sem mala... // Não, não sou eu que volto. / Eu me perdi no tempo, / Fiquei no passado, Consumido na Vida... // Perdoa! Esquece esta imagem! / Fecha a janela!

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