AGENDA CULTURAL

17.12.17

Cadê as benzedeiras?

Hélio Consolaro*

Vou abordar um assunto meio espinhoso, mas é uma verdade factual, basta apenas observar a realidade. Cadê as benzedeiras

Antigamente, não havia uma pessoa que não tivesse passado por uma. Este blogueiro sessentão é um exemplo disso. Era o catolicismo popular misturado com religiões de raízes africanas. 

O galhinho de arruda era presença infalível. E durante o benzimento, havia até folhas que murchavam, como se a doença da criança estivesse passando para a criança. Era o remédio disponível da senzala, mas os habitantes da casa-grande de tanto ouvir a empregada da casa, iam para o benzimento também.

Hoje, não há criança que não conheça uma UBS ou uma clínica infantil particular. É mais fácil achar um médico na esquina do que uma benzedeira na cidade. Sinal de que as ciências avançaram e o ser humano está se virando com seu próprio saber. 

No dia 13 de dezembro, desde pequeno, vi minha mãe acender uma vela para Santa Luzia, pois ela tinha problema de vista. Isso era infalível. Nesses últimos anos, com glaucoma, medicamentos de cá e de lá, ela andou se esquecendo da santa.  Percebi que ela mudou de protetor, passou a endeusar o Santo Adalberto, o Dr. Adalberto Santiago, o oftalmologista. Se ele falou, é dogma.

Embora ainda há gente com uma relação imatura com Deus, achando que Ele é um balcão de negócios em termos de dízimo e de promessas, creio que as pessoas passaram a ter uma relação mais qualificada com Deus e descobriram que a relação fé e ciências é de compatibilidade, uma completa a outra.

Será? Não sei, mas um placebo até que faz bem.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras.

2 comentários:

Gabriel Araujo dos Santos disse...

Nunca me esqueço das vezes que meu pai, quando de seus proseios com os compadres ali na pequena sala de entrada da casa, me chamava e dizia: "Vai, minino, vai lá no quintal e panha uns gainhos do matinho de matá tristeza". Quando eu vinha com os ramos de alecrim ele já estava com a água quente na chaleira, onde punha o matinho em infusão. Passava a chaleira e os coités de mão em mão, e todos iam bebendo aquilo sem pressa, sem afobação. Um de seus compadres, que já era avô, ficara viúvo e vivia em constante e permanente tristura. Como eu reparava em tudo à minha volta, notei que ele, o seu Januário, principiou por recobrar o ânimo, e tanto assim que nas confidências de meu pai com os demais compadres, manifestavam contentamento pela melhora no viver do seu Januário. Agora, não sei se foi pelo conforto das prosas ou devido ao matinho de matá tristeza. Creio que os dois.

Hélio Consolaro disse...

A leitura Lu Mota fez um comentário interessante no Faceboook sobre esta matéria. Reproduzo-o aqui:

Conheço algumas benzedeiras maravilhosas. Temos um evento onde os benzimentos sao praticados com grande procura, junto com reiki, preces, e muitas terapias integrativas, numa juncão entre corpo e espirito e na procura pela melhoria de ambos. Acho que as benzedeiras estao por ai, e que muutas pessoas vao aos centro espiritas/ Kardecista/Umbandistas/ Candomblecistas atras desses benzimentos muitas vezes com nome de passes. ( tem um pequeno diferencial nas na essencia é uma pessoa transmitindo energia p outro- que pode ser sua ou de outros seres espirituais- inclusive das plantas. Um ramo de alecrim tb é mt bom p benzimentos. Tem um grande poder de limpeza áurica.