AGENDA CULTURAL

30.5.18

Homens também plantam flores

Veneziana descartada, sendo usada como suporte
Hélio Consolaro*

Apenas quero mostrar nesta página, caro leitor, que os homens também choram, cuidam de flores sem ser jardineiros profissionais e nem por isso perdem a sua macheza. 

Dizem que nossos jardins atuais, quando são imagem e semelhança de seu dono, como o meu, cheios daquelas flores de sítio, daquelas casas simples de zona rural, é uma busca da infância. 
Monsenhores (tipo de crisântemo) e petúnias
Crista-de-galo, monsenhor, beijo, primavera, samambaia (também chamada de planta de tia velha), cravo, rosa, mas há também petúnia, érica. Não fui buscar nada nas beiras de estradas, sou cliente da Locatelli Plantas. A Helena tem outras preferências como orquídeas e rosa do deserto.
Vaso sanitário e pia receberam bela ramagem
Para que as borboletas não desapareçam (netos e netas), plantei cama elástica, um espaço com areia e uma piscina móvel. A avó tem uma certa doçura, eu não sou um avô que atraia muito as borboletas. Aí, invento as armadilhas. 

Plantar, adubar, aguar diariamente, ver a flor abrir suas pétalas, seja qual for a espécie, tudo isso é reconfortante, trata-se de uma terapia. Começar a ver lagartixas correndo pelo quintal, só me falta atrair os beija-flores. Quando a vida deságua bem na velhice, ela torna os avós mais gente.



Não ria de meu jardinzinho, caro leitor (ou leitora), não mudei o meu gênero, estou apenas percorrendo a estrada da vida. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba-SP, Andradina-SP e Itaperuna-RJ.

Um comentário:

Gabriel Araujo dos Santos disse...

Que surpresa! Mais uma das facetas que passo a admirar no Consolaro. Temos aqui em casa uma trepadeira cuja muda veio em nossa mudança para
Campinas em janeiro de l981. Foi-nos dada pela Sra. Carlinda, famosa e exímia professora de bordados, moradora ali na rua General Osório, creio próxima à esquina com a Princesa Isabel. Os amigos que aqui chegam logo exclamam pela sua exuberância e beleza. E os vasos de samambaia são os preferidos das pombas, uma espécie de juriti, para aprontar seus ninhos. As maritacas fazem baldeação por aqui também. Às vezes ficam dois, três dias, e depois se vão. Parada para um descanso. Teve um dia filmei um jacu-açu, daquele de barbatana vermelha, numa das árvores do jardim, onde o Pedro Henrique, nossa filho, tentou uma plantação de couve. Gostoso acompanhar o desenvolvimento das plantas. O quintal e o terraço já cheio de vamos enormes, além dos canteiros perto da cozinha onde colhemos manjerona, basílico, hortelã, cebolinha, salsa, couve, rúcula, agrião e almeirão, não se falando do orapronobis. Por falar nisso, lembrei já está na hora de podar os pés de uva. A tesoura eu comprei lá na Casa Dois Martelos, ali na Marechal. E o martelo também, sempre atendido pelo Seu Sgaglia. Viu como um assunto rende outro?