AGENDA CULTURAL

31.3.19

Modernizar e também preservar


*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Secretário Municipal de Cultura, 2009-16.

Demole ou não a estação ferroviária que sobrou após a transferência dos trilhos do centro de Araçatuba. A árvore de nossa história foi arrancada do centro, mas deixou um tronco morto, bem grosso. Há gente querendo arrancar a raiz de vez ou botar fogo nos restos mortais.

Não há mais jeito, a estrada férrea foi retirada, ela é uma lembrança que aparece em fotos e na lembrança dos mais antigos. Agora, a gente quer um sinal de sua presença, um retalho que alimente a nossa memória. Aliás, eu escrevi uma proposta para dar uma finalidade à Vila Ferroviária na campanha eleitoral de 2016, ainda está no meu blog:
http://www.blogdoconsa.com.br/2016/04/o-que-fazer-com-vila-ferroviaria-de.html

A preocupação do prefeito Dilador Borges (PSDB) em resolver a demanda do centro velho de Araçatuba merece elogio, pois se trata de um problema das cidades brasileiras. Apenas está faltando um encaminhamento mais democrático, criando instância de participação popular com as audiências públicas, além de ouvir Câmara Municipal e Conselho Municipal de Políticas Culturais.    

As pessoas com história em Araçatuba andam meio assustadas com as demolições de prédios históricos, mais recente foi a casa da Nair Falco que, sem discussão a Secretaria Municipal de Planejamento e Urbanismo, sem ouvir a Secretaria Municipal de Cultura autorizou a demolição.

Num passado recente, um vereador já falecido, quando o ex-prefeito Jorge Maluly quis e construiu o Terminal Rodoviário Nélson Reis Alves naquele espaço, à revelia da vontade do mundo cultural de Araçatuba, chamou em programa radiofônico a Vila Ferroviária de moquiço. Por aí se percebe a fraca mentalidade da preservação de nosso patrimônio histórico que nos leva ao cultivo da memória.  

A praça Rui Barbosa, por ser a mais antiga, não conta a história da cidade por meios de seus prédios, pois na década de 70 derrubaram a antiga Igreja Matriz, a Igreja Presbiteriana; a Capela São Benedito no bairro Santana. Mesmo a praça em si não tem nada de antigamente. 

Não pode haver apenas duas opções: derrubar a estação ou deixá-la do jeito que está, há outras alternativas. Basta haver inteligência racional dos envolvidos por força de ofício e dos que se envolveram. É possível modernizar e simultaneamente preservar.  

No artigo de 2016, "Que fazer com a Vila Ferroviária", apontei alguns caminhos, mas defendendo ampla discussão. "Antes de qualquer ação: ouvir Câmara Municipal de Araçatuba, Conselho Municipal de Políticas Culturais de Araçatuba, a Secretaria de Mobilidade Urbana e Associação dos Engenheiros e Arquitetos da Alta Noroeste". 

A democracia e o diálogo são as melhores saídas para nosso problemas públicos.
   

Um comentário:

Gustavo Guimarães disse...

Isso mesmo Hélio! Temos que ter cultura histórica em Araçatuba, não podemos ser rasos bolsonaristas, que não tem nenhuma persepção ou memória da história do planeta e nem de nossa cidade!