AGENDA CULTURAL

21.3.08

Babau, livros


Hélio Consolaro

Sempre dou aos meus alunos do ensino médio o tema sobre o desaparecimento do livro para que façam uma dissertação. Depois de muito falar e debater, ainda se confundem em seus textos: não sabem diferenciar obra de livro, não conseguem ver, cegados pela tradição, de que o livro é uma mídia por onde circula a obra.

A obra é o texto, que hoje circula por muitas mídias, como: livro, internet, CDs, pen-drive e, em futuro bem próximo, o e-book. O livro poderá desaparecer, mas a obra não. A leitura não está condenada ao desaparecimento, mas salvar o livro será uma tarefa quase impossível. Mataremos o livro e salvaremos as árvores. Tudo tem o seu lado negativo.

Hoje, existem muitos sites que dispõem obras completas, mas como lê-las na tela do microcomputador, que, diante da nanotecnologia se tornaram macros. Impossível, é desconfortável. A nova tecnologia ainda não foi democratizada, portanto, o livro sobreviverá por algum tempo, pois o seu custo ainda é baixo. Imprimi-los pelo computador também é impossível, ficaria mais caro de que comprá-los nas livrarias.

Essa reação contra o sumiço do livro é saudosismo puro, como foi com o surgimento da garrafa térmica, do fogão a gás, do microondas. Escreveu o jornalista cubano Carlos Alberto Montaner: “Durante séculos, os seres humanos escreveram em rolos, sobre folhas maceradas de papiro. Quando os egípcios - grandes produtores de papiro - proibiram a exportação desse material ‘estratégico’ para certas cidades gregas, uma delas, Pérgamo, começou a curtir a pele dos carneiros para destiná-la a esse mister. Surgiu o pergaminho. Vários séculos mais tarde, no século 4.º d. C., começou a popularizar-se outra forma de leitura: os códices, quase sempre escritos sobre pergaminho e encadernados como nossos livros. Houve então nostálgicos amantes dos rolos que quiseram resistir à inovação dos códices, mas as vantagens para a cópia, o transporte e o armazenamento dos novos livros eram imbatíveis”.

Os livros tradicionais estão marcados para morrer. Serão substituídos pelos e-books. Um computador de mão, do tamanho e espessura de um livro convencional, que se alimenta de cartões eletrônicos capazes de conter uma quantidade assombrosa de obras. Em vez de empilhar livros numa estante empenada, todo esse material será digitado num portador do tamanho de cartão de crédito e inserido numa ranhura do e-book. Será levado ao banheiro, lido no ônibus, imitando o barulho do papel, quando o usuário apertar o botão para mudar de página.

Babau, livros. E para que se descabelar? As obras continuarão à disposição.

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