AGENDA CULTURAL

13.1.16

Ângelo Cardoso faz poesia com a máquina

Texto de Antônio Crispim 
Jornal O LIBERAL, de 12/01/2016
Veja o arquivo fotográfico de Ângelo Cardoso no Facebook, clicando aqui. 
O fotógrafo Ângelo Cardoso atrás de sua máquina

No Brasil, o Dia do Fotógrafo é comemorado no dia 8 de janeiro. De acordo com relatos, no dia 8 de janeiro de 1840 chegou a primeira máquina fotográfica no país. Porém, há controvérsias quanto à exatidão da data. 

O fotógrafo consegue captar uma fração de segundo de determinado momento e eternizá-lo. A fotografia é uma das maiores invenções da era moderna, transformando completamente a literatura e a comunicação no século 20. O jornalista Angelo Cardoso há quase três décadas atua na área fotográfica. Tem a percepção rara do artista e eterniza, por meio de sua lente, um raro momento.

O seu nome é Angelo Cardoso. Já foi Ag. Cardoso e agora assina as suas fotos (ou seria obras de arte?) com o nome Angelo Cardoso. Prestes a completar três décadas de trabalho, Angelo Cardoso hoje é funcionário concursado da Câmara Municipal de Araçatuba. Porém, sua câmera está sempre à mão. Navegar por suas redes sociais como visitar uma exposição de arte. Ele consegue ver o que poucos enxergam. É a visão do profissional. Do artista. Ele é formado em Comunicação Social pelo UniToledo, na primeira turma de jornalismo.
 
A fotografia mais ousada do Ângelo Cardoso
Antônio Cabrera Mano Filho, ministro da Agricultura do governo de Fernando Collor de Mello
Angelo Cardoso nasceu em Araçatuba no dia 20 de setembro de 1967. Passou praticamente toda a minha primeira infância em São Paulo. O fato de ter um irmão fotógrafo fez com que desde pequeno tivesse acesso ao trabalho. "Foi meu primeiro contato com a arte".

"A minha primeira câmera foi uma de brinquedo, que espirrava água", diz ele sorrindo. "Demorou para que eu comprasse uma câmera profissional. Antigamente era muito caro o material fotográfico. Fui comprar minha primeira câmera já adulto. Mas antes disso, quando encerraram os trabalhos da Agência Interior, o Bruno Toledo deixou com que eu ficasse com a câmera, pois eu iria ficar desempregado", relembra ele.

Angelo Cardoso recorda que como teve contato com a fotografia desde pequeno, quando pegava um jornal, sempre escrevia seu nome (crédito) na imagem, como se fosse sua. "Será que eu já estava prevendo a minha profissão?" Indaga ele.
 
Esta foto foi o registro de um flagrante histórico, dois ex-prefeitos: Sidney Cinto, ainda vivo; Jorge Maluly Neto, já falecido
"Como fotojornalista atuo desde 1987. Comecei no Jornal da Cidade e mais uma vez o destino me empurrou para o fotojornalismo. Tudo começou quando vim passar umas férias em Araçatuba, pois morava em São Paulo há algum tempo. Eu e meu sobrinho Luis Carlos (que mais tarde também seguiria a carreira de fotojornalista) passávamos de ônibus em frente à sede do jornal, foi quando eu disse pra ele. Vou descer aí e vou ver se tem emprego. Era dezembro, final de 1987. O jornal havia sido inaugurado alguns dias antes. Achei que iria bater com a cara na porta. Fui atendido pelo diretor da época - Valdevino Bittencourt Dias. Ele me perguntou se eu sabia fotografar. Mais que de pressa respondi que sim (Eu tinha pego em câmera umas duas vezes, mal sabia ele, que eu não tinha noção de nada). O Bittencourt pediu para que eu voltasse no outro dia. Voltei e ele me deu o emprego. Fui com a cara e coragem. "Apanhei bastante nos primeiros meses. Certa vez já desconfiado que não estava agradando, perguntei ao Valdivino se eu seria demitido. Ele respondeu que não e era para eu continuar aprendendo. Muitas pessoas me ajudaram na época. Tinha o Raul (in memoriam), que era da polícia técnica e o Gérson Fortes, fotógrafo conceituado na cidade. Eles me deram uma força incrível. Com ajuda de todos superei os momentos mais terríveis que passei na profissão. Agradeço muito a todos, principalmente ao Valdevino Bittencourt", acrescenta.
 
Registro histórico de Ângelo Cardoso, autores do Hino de Araçatuba (Maestro José Raab, já falecido; Sarah Barbosa. Ambos, professores do antigo I.E.)
"Já trabalhei em vários jornais e Agência Interior. Trabalhei em O Liberal quando foi inaugurado e tinha como proprietário, o professor Sérgio Alves Pinto, com quem trabalhei no Jornal da Cidade e vivi uma das épocas mais gostosas do jornalismo. Também fiz frila na Folha de São Paulo e Estadão. Também trabalhei na assessoria de comunicação da Prefeitura com a prefeita Germíinia e o professor Sílvio Venturolli", relembra o fotojornalista, que está na Câmara desde 2003, inicialmente como assessor de comunicação (cargo comissionado) e depois, com concurso, efetivado desde 2009.

Cardoso diz que gosta de atuar em todas as áreas humanas, "psicologia, filosofia, direito da comunicação, história e sociologia". "Gosto de ler tudo sobre esses assuntos e levo isso para a vida pessoal", diz.

Quanto ao trabalho, diz que sempre procura andar com a câmera. "Quando faço minhas caminhadas também. Aliás, é andando que a gente descobre tanta coisa bacana", explica.
Outro registro histórico. Não eram irmãs gêmeas, mas duas amigas que mantinham uma competitividade à flor da pele: Odette Costa, professora e cronista social; Maria José Bedran, professora e advogada. Ambas, fundadoras da Academia Araçatubense de Letras. 

"Fotografia para mim é o registro do momento que vai ficar eternizado. Não adianta você ver alguma coisa retratável e deixar de registrar. Como você vai contar isso no futuro? Só com palavras?" Indaga.

"A fotografia atual vive um momento de transformação. Hoje você não revela mais uma imagem. Ela já é revelada no instante em que você fotografa, pois é possível ver na hora o registro. Antigamente tinha de ir para o laboratório e passava por um longo processo de revelação. Mas ao mesmo tempo, fotografia não é só isso. Ela é um registro histórico. É cheia de conceitos particulares e intransferíveis", resume o profissional.

Quanto às novas tecnologias, Angelo Cardoso diz que elas não inibem ou ofuscam a parte artística. "Apesar disso tudo, a fotografia continua sendo fotografia. A tecnologia veio como aliada dos profissionais. Muitos fotógrafos acostumados em fotografar com câmeras com películas (filmes) tiveram uma certa dificuldade ao migrarem para o digital. Junto com a transformação da fotografia vieram vários mecanismos, está certo que antigamente já era possível manipular uma imagem, mas hoje, isso se tornou quase que normal, mas eticamente falando, não é. Principalmente quando se trata de informação. Pois como já disse, a fotografia é um documento histórico.", afirma ele.
 
Ângelo Cardoso sempre gostou de registrar as fotos de Araçatuba pelo melhor ângulo, amando a sua cidade   
Segundo o jornalista, a câmeras digitais são complexas e isso dificultou um pouco, mas para quem é profissional estudioso, tudo foi superado. "E como dizia Henri Cartier Bresson - "Fotografar é colocar na mesma mira a cabeça, o olho e o coração". "
"A minha esposa, Lidiane, diz que quando eu fotografo, até minha expressão muda. Na verdade é assim mesmo. Quando estou fotografando a natureza, eu dou risada sozinho. Parece que existe uma transformação na alma. A gente acaba absorvendo o momento. É a mesma coisa quando fotografo coisas irregulares andando pela cidade. Isso me deixa transtornado. Nesse momento, a fotografia se torna a minha companheira de indignação. A fotografia para mim é isso. Ela tem o poder de transformar o ambiente em que a gente vive. A fotografia é um documento que serve para registrar as coisas belas e também como uma poderosa arma contra as injustiças sociais", acrescenta Angelo Cardoso.


Cardoso diz que o seu momento atual é fruto de seu passado. "Para que eu me tornasse um fotojornalista, passei por muitas e muitas coisas. Fui ajudante de tapeceiro, trabalhei em açougue como entregador de carne e trabalhei na roça. Depois disso, estudei bastante. Leio muito sobre fotografia, assisto documentários e com o advento da internet pesquiso bastante. Uma coisa que sempre falo é que não sei nem um por cento da fotografia. Todos dias eu acerto e erro", concluiu Angelo Cardoso.

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