AGENDA CULTURAL

1.9.22

Aula não é igual tecnologia - Alberto Consolaro

Questionar sempre e ouvir muito
Os primeiros minutos da aula, venda, discurso ou conversa, são para explicar: 

1. Qual o prazer em saber aquele assunto; 2. Qual a facilidade que dará no dia a dia da vida! 

Se conseguir, todos irão com o professor, mas se não, a aula ou o papo, já era! Se for venda, é melhor tentar em outro momento!

Assim ensinou Piaget. A grande maioria das pessoas em suas abordagens não adotam o princípio que se está falando ou fazendo para o outro e não para si mesmo. Elas não estão preocupadas com o interlocutor, só falam para si mesmo! Este é o caminho do fracasso como professor, palestrante, vendedor, político, parceiro e outras formas de comunicações.

A assinatura do diploma ninguém se lembra de quem, mas se perguntar qual foi o melhor professor lembra-se na hora e quase sempre com alguns adjetivos de maluco, anormal, diferente, incrível e especial. Se lembram daquela aula sem projeção, apenas com ideias e argumentos a partir de um raciocínio, pensamento ou técnica. As aulas marcantes desses professores seguiam os “princípios dos primeiros momentos”.

AULA?

Aula é todo espaço e tempo dedicado a ensinar, aprender e reaprender. É o momento que o professor apresenta um pensamento, informação ou técnica e induz o questionamento sob os mais variados aspectos como: 

1. Por que isto existe ou foi criado; 

2. Qual foi a forma que se chegou até este pensamento, 3. Existe outras formas ou técnicas parecidas; 

4. Quais as implicações teóricas e práticas deste conhecimento; 

4. Como se treinar ou pensar sobre o assunto?

Professor é um entusiasmado indutor de questionamentos e não um repassador de informações prontas! Na aula, o professor faz uma imersão em sua mente, fazendo a plateia viajar pelas palavras e pensamentos! Que delícia!

E as informações como vou repassá-las? Estão nos livros e nos computadores disponíveis na escola, nos celulares e em casa. O bom professor não entrega o conhecimento pronto sem antes induzir e questionar como chegar lá. O bom professor ressalta a importância sem necessariamente mostrar como, afinal o passo a passo está no livro, manual ou computador. O monitor ou tutor também acompanha esta fase, quase que pegando na mão do aluno.

AS FERRAMENTAS

As ferramentas do professor são o pensamento, o raciocínio, o entusiasmo, a alegria e a vontade que o outro cresça a partir de si mesmo! Tudo isto é carregado de sentimentos. A lousa eletrônica, projeção de imagens, apps, realidade aumentada ou biblioteca não substitui esta magia de “ensinar, aprender e desaprender”. Uma aula requer muito investimento intelectual, entusiasmo com o que faz e, especialmente, muito planejamento. A tecnologia até pode ajudar, mas jamais substituirá o professor pleno e devidamente preparado!

Todo este processo se chama Didática, uma área da Pedagogia que pesquisa, estuda, desenvolve e prepara um ser humano para ser professor no sentido exato da palavra: um formador de gente pensante, questionadora, crítica e criativa, enfim um cidadão completo na acepção da palavra. E tem gente que não consegue entender isto e nem requerem isto para seus filhos, gostam mesmo é de “influencers”.

REFLEXÃO FINAL

Já pensou formar bons professores e recompensá-los como uma das prioridades nacionais, estaduais e municipais? Reflita sobre isto. Em época eleitoral é hora de escolhermos muito bem quem vai estabelecer estas prioridades com o dinheiro arrecadado! Investir em educação não é só escola bonita e cheia de computadores com internet. É principalmente ter professores muito bem-preparados e recompensados por esta atividade única na época que vivemos! 

Alberto Consolaro  

Professor Titular da USP  
FOB de Bauru
consolaro@uol.com.br  

 


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