AGENDA CULTURAL

21.7.18

Sexo, o fogo das relações


*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Araçatuba-SP 

Quando o livro "Voragem" chegou, li a nota da quarta capa, me lembrei do filme "Império dos Sentidos", 1976, drama erótico, com direção de Nagisa Oshima. E por ser um livro da literatura japonesa, me agradou, porque meus filhos e netos são nisseis e sanseis.

E assim entrei em suas páginas e quase o li num só fôlego. Descobri depois que a trama amorosa narrada por Junichiro Tanizaki se inspirou em experiências de sua terceira esposa Nezu Matsuki.

Tanizaki escreveu o romance numa época em que o Japão começava a se ocidentalizar, e este gênero literário é a expressão de mundo novo que vem chegando para aquele país. 

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"Sua obra de juventude revela forte influência de Poe, Baudelaire e Oscar Wilde. A partir de 1923, deixou-se absorver pela cultura de seu país e abandonou a inclinação ocidentalizante, vivendo nesse momento uma crise intelectual e emocional que contribuiu decisivamente para torná-lo um dos nomes centrais da literatura japonesa do século 20."
Junichiro Tanizaki

Para um livro publicado em 1931, cujo tempo da narrativa está em 1920, o tema é bastante avançado, quando não existia ainda geração de 1960 para viver abertamente o  amor livre. Na sua trama, o autor deixa como subtexto que o amor pode ser livre, sem a estrutra hierárquica dos haréns, mas exige fidelidade, pelo menos periódica, porque no final o tripé Sonoko Kakiuchi, Mitsuki Tokumistu e Koutaro Kakiuchi que antes viveram um mundo sórdido, cheio de mentiras, obsessões e juras de amor dramático da narrativa acabam nas últimas 30 páginas numa "viragem" total, culminando com a "voragem".

O parágrafo seguinte de Nicolas Gattig revela como Junachiro Tanizaki foi e é visto pelo Japão, contaminado pelo moralismo burguês: 
"Uma vez considerado pelos censores como 'prejudicial à moral pública' e proibido de publicar durante a Segunda Guerra Mundial, Tanizaki - como nenhum outro escritor - minou o reino das fantasias proibidas. Do erotismo sutil à patologia completa, ele fez poesia de prazer e tormento, as confissões de homens que ultrajante e deliciosamente levam as coisas longe demais."

Um comentário:

Alice Mara Barbosa da Silva disse...

Fiquei interessada nessa obra. Parece bem ousada.