AGENDA CULTURAL

19.9.06

Lição de auto-ajuda

Hélio Consolaro

Não sou escatológico, caro leitor. Às vezes, querem me atribuir a pecha, mas isso não pega. Não existe o nu artístico, então há também a escatologia artística.

Não sabe o sentido desse palavrão? Escatologia, além de significar o tratado sobre o fim do mundo, também tem o sentido de tratado acerca dos cocôs, aquele negócio nojento que sai da gente.

Então, caro leitor, a foto de Entrelinhas é de uma escultura. Uma homenagem à pequena Suri Cruise, filha de Tom Cruise e Katie Holmes. Ele usou todo o seu talento para fazer uma representação em bronze do primeiro cocô da menina.

A escatológica escultura foi confeccionada com base no primeiro cocozinho da pequena Suri e foi exibida na galeria Capla Kesting, no Brooklyn, Nova York, antes de ser leiloada em benefício de obras de caridade.

A escultura é um signo meio motivado, porque quem precisa de auxílio de obras de caridade está na merda mesmo. Nada melhor do que fazer limonada do limão oferecido, ou seja, sair da merda usando a própria merda. Uma boa lição de auto-ajuda.

O poeta e teatrólogo Laerte Silva Jr. retira filosofia de onde se vê apenas mau cheiro. Nas reuniões do Grupo Experimental, quando ele e Heitor Gomes retiram uma folha de papel e dizem que vão para ler o último poema da lavra deles, todos tremem. A coisa vem pesada.

Noutro dia, Laerte Silva Jr. chegou com este poema, intitulado “Cagada Filosófica”.

Você vai ao banheiro, estufa a veia do pescoço, sua frio e evacua feito cabritinho.

Aí você observa o fedido fruto do seu ventre e dá a descarga.

Mas você já reparou que tem sempre uma pelotinha atrevida que desafia o fluxo e teima em não ir com as demais para o esgoto?

Então você pega um balde e, sem piedade, lança um tsunami sobre ela!

E a pelotinha se diverte: faz que vai, mas volta em grande estilo!

Outros dois baldes e o que vai para o esgoto é a sua paciência: “Merda!” – você xinga.

Ah! Mal sabe você que isso soa como um elogio para a pelotinha, que se delicia ao ver você perdendo a pose e “fedendo” tanto quanto ela!

(Algo me diz que sou feito à imagem e semelhança dessa bostinha...).

Se achar que é mentira do Laerte, caro leitor, faça a experiência na próxima ida ao banheiro.

Veja imagem:
http://editordouoltabloide.fotoblog.uol.com.br/photo20060830195217.html

2 comentários:

Anônimo disse...

Meus parabens pela sua Crônica do cocô
hehehe
gostei muito
continue sempre assim
abração de um fã seu :)

Anônimo disse...

Essa crônica foi demais Hélio, rs, to rindo até agora,rsrs