AGENDA CULTURAL

8.7.12

Sacrificar a vida para ler uma mensagem? Acontece todo os dias

O Estado de S.Paulo
O jornalista americano William Powers, autor do livro O BlackBerry de Hamlet, acostumou-se a ver notícias sobre a morte de jovens que teclavam enquanto dirigiam. Como a de Taylor Sauer, de 18 anos. Em 14 de janeiro, ela dirigia a cerca de 130 km/h em uma estrada e conversava pelo Facebook com um amigo sobre futebol americano. Seu último comentário foi: "Não posso discutir isso agora. Dirigir e falar no Facebook não é seguro! Haha".
Em entrevista ao Estado por e-mail, Powers falou sobre como o comportamento é "tolo e pode ser perigoso" e como companhias como Facebook e Google lidam com o excesso de conectividade atual. Para o autor, é preciso promover intervalos entre o usuário e as telas - computadores, tablets, celulares - e o momento da direção pode ser um deles.
Cada vez mais as pessoas teclam dentro dos carros. O momento da direção pode ser um dos intervalos entre usuário e tela que o senhor propõe em seu livro?

Dirigir e digitar é tolo, é perigoso e está matando gente. Sim, acho que o carro pode ser um desses intervalos. Muito raros hoje, mas valiosos. Mas enquanto carros e smartphones não evoluírem a ponto de nos ajudar a desconectar na direção - algum dia, acho que vão nos ajudar - cada um tem de tomar a decisão de fazer por si mesmo.
Por que é tão difícil se desconectar? É mais difícil para os mais jovens?

É difícil porque estar em contato com outras pessoas e informações é uma experiência poderosa. O ser humano é inerentemente uma criatura social. Há, inclusive, evidências de que os nossos cérebros nos dão uma recompensa química quando usamos esses aparelhos, uma injeção de dopamina que se parece muito como usar droga. E isso é sentido em todas as idades, mas os mais jovens são naturalmente mais intensos nisso, porque estão descobrindo o mundo e o significado de ser social.
O que pensa de pessoas que morrem por não conseguirem parar de digitar mesmo na direção?

É uma situação absurda e trágica. Teclar realizando outras tarefas digitais na direção é responsável por mais acidentes e mortes do que imaginamos. Sacrificar sua vida para ler uma mensagem? Acontece todos os dias. O mundo precisa despertar para essa questão.
Em sua opinião, companhias de telefonia móvel deveriam ajudar com campanhas educativas?
Sim, devem ajudar a mudar a mentalidade do público sobre o tema. Nos Estados Unidos, algumas já fazem isso. Tanto o Facebook quanto o Google me chamaram em seus escritórios. O diretor executivo do Google, Eric Schmidt, repetidamente encoraja os jovens a tirar suas caras da frente das telas. Nas minhas palestras, gosto de exibir um comercial de uma grande companhia tailandesa de telecomunicações. É curto e poderoso, chama-se Desconecte para Conectar. A propaganda mostra pessoas com amigos e parentes queridos que, quando pegam o celular, ficam imediatamente sozinhas. / D.G. 


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3 comentários:

DeDêCamillo disse...

Achei bom teclar e diferente de falar,e mais perigoso.

DeDêCamillo disse...

Achei bom teclar e diferente de falar,e mais perigoso.

Anônimo disse...

Teclar e falar, SE SOMENTE SE, no celular, é a mesma coisa. Estudos da Polícia Militar comprovam que a reação é a mesma de uma pessoa que dirige alcoolizada (os reflexos são reduzidos).
Falar no ambiente, ou seja, no carro com outras pessoas, pode ser considerado diferente.