AGENDA CULTURAL

11.12.12

Leitura de entretenimento


Literatura de entretenimento é destaque do pograma Entrelinhas, na TV Cultura



Os escritores André Vianco,Felipe Pena, Luis Eduardo Matta e Pedro Drummond são destaque do programa Entrelinhas, da TV Cultura, neste domingo, 18 de julho, às 21h30. 



Um bate-papo, os autores de vertentes literárias distintas falam sobre o “Manifesto Silvestre” em favor da literatura brasileira de entretenimento – um alicerce para a defesa da criação de uma literatura acessível, menos elitizada.

Dedicado aos livros e à literatura, o Entrelinhas é apresentado por Paula Picarelli e retransmitido por quase todas as emissoras públicas do país. A reprise do programa com o “Grupo Silvestre” será dia 20/7, à 1h30.

Inspirado em José Paulo Paes, um dos mais importantes críticos e pensadores literários brasileiros do século XX, o escritor carioca Luis Eduardo Matta tornou-se defensor do que batizou de Literatura Popular Brasileira (LPB) – formatada aos moldes da Música Popular Brasileira (MPB) que, a despeito da declarada não-erudição, se firmou como paradigma de qualidade e excelência.

“Não temos no Brasil uma tradição de literatura de entretenimento. A literatura brasileira é extraordinária, mas muito sofisticada. Com isso, os leitores comuns acabaram migrando em massa para a literatura estrangeira. Eu pergunto: será que nós, brasileiros, somos incapazes de escrever como Danielle Steel, Sidney Sheldon ou Dan Brown? Escrever boa ficção de entretenimento é difícil, mas os brasileiros podem fazê-lo muito bem”, afirma Matta.

Na percepção do escritor Felipe Pena, o entretenimento é tratado de forma preconceituosa por grande parte da crítica literária brasileira. “Entretenimento não é passatempo; entretenimento é sedução pela palavra. Nas outras artes, como o cinema e o teatro, não há mais esse espaço para a dicotomia entre erudito e popular; há misturas, fronteiras híbridas. O que não significa que a literatura de entretenimento deva ser superficial”, afirma o autor.

Sobre o nome do grupo, Felipe Pena explica: “Etimologicamente, silvestre significa algo que acontece naturalmente, de forma espontânea. Foi assim que nos juntamos, espontaneamente, no dia do lançamento do romance do Edney Silvestre, a quem também homenageamos, mas que não é signatário do manifesto”.

O decálogo do movimento veio a público em fevereiro de 2010 endossado por dez escritores: Lúcia Bettencourt, Angela Dutra de Menezes,Celina Portocarrero, Luis Eduardo Matta, Felipe Pena, Tomaz Adour, Barbara Cassará, Halime Musser, Ana Cristina Mello e Marcela Ávila. Em março, porém, a lista de signatários já havia mudado - e bastante. Saíram Lúcia, Angela, Celina, Ana Cristina e Marcela; entraram André Vianco e Pedro Drummond.

Leia o Manifesto do Grupo Silvestre:

Nós, autodenominados “Grupo Silvestre”, signatários deste manifesto, apresentamos algumas propostas para a literatura brasileira contemporânea.

1. Em literatura, entretenimento não é passatempo. É sedução pela palavra.

2. Tudo é linguagem, mas a narrativa é a base da literatura. Uma história bem contada é o objetivo que perseguimos.

3. A ficção brasileira precisa ser acessível a uma parcela maior da população. O que não significa produzir narrativas pobres ou mal elaboradas. Rejeitamos o rótulo de superficialidade. Escrever fácil é muito difícil.

4. Os academicismos, jogos de linguagem e experimentalismos vazios não nos interessam. Respeitamos a produção que segue estes parâmetros, mas nosso caminho é inverso.

5. Estamos preocupados com a formação de leitores assíduos e frequentes para a ficção brasileira.

6. A literatura não pode se limitar a uma elite que dita regras, cria rótulos e se autoenaltece em resenhas mútuas, eventos e panelas.

7. O autor pode e deve se esforçar pela disseminação de sua obra, o que significa se envolver com a distribuição, o marketing e demais processos da produção.

8. Gostamos de enredos ágeis e cativantes. E valorizamos títulos que chamem a atenção do leitor e despertem a vontade de chegar até o livro.

9. Não colocamos o desejo soberano de ser lido como única origem do processo criativo. Mas queremos espaço para aqueles que têm tal desejo.

10. Apesar da tão apregoada diversidade da prosa nacional, uma parcela da crítica acadêmica dividiu-a em pólos antagônicos. Quem não é moderninho, é superficial. E ponto final. Rejeitamos esse maniqueísmo que produz distorções, afasta leitores e joga sua névoa sobre o mundo literário.


Editora Saraiva

Um comentário:

andre albuquerque disse...

O que é literatura de entretenimento ? Aquela que não tem orelha de livro escrita por alguém da academia ? A literatura não deveria só entreter ? A literatura deve ou deveria ser o que, ? Em seus contextos históricos Conan Doyle e Paulo Coelho seria escritores ?