Hélio
Consolaro*
Vivi
nos dias de Itália em quatro torres. A Torre de Pisa é torta e ninguém da cidade
quer endireitá-la, porque os turistas sumiriam, a economia da cidade tombaria.
O charme dela é ser torta. Aliás, dizem que seus habitantes são tortos,
caminham pensos de um lado. Pelo menos os suvenires indicam isso.
Já
chamaram engenheiros, trabalharam anos nela, mas para que continuasse torta.
Não queriam consertá-la, apenas não deixa-la cair. Imaginá-la ereta seria
excomungado pelo pároco local. Todos vivem do aleijão da torre, das esmolas
dadas à deficiente.
Há
uma segunda torre, a de marfim, que anda meio esquecida. Ela é a metáfora do
isolamento, da pessoa que se afasta da realidade, principalmente artistas e intelectuais correm esse risco.
Tenho um amigo assim, lê o dia inteiro, quando, por acaso, precisa conversar
com alguém, usa aqueles palavrões inacessíveis.
Na
Itália, Vivi numa terceira torre, que é também uma quarta, um ônibus em que há
pessoas de várias nacionalidades. O ônibus era uma torre deitada. Nele, uma
agência de turismo colocou viajantes oriundos de vários países.
Helena, numa brincadeira de ilusão de ótica provocada pela fotografia, parece segurar a torre. É uma brincadeiras que todos os visitantes querem fazer. |
Isso
gerou situações como na Torre de Babel, onde cada construtor adquiriu um código
e ninguém se entendia. Acabaram nada construindo. No ônibus, com esforço, as
mensagens eram compreendidas. O guia falava castelhano, alguns viajantes
falavam o mesmo idioma, mas havia uma parte de brasileiros que falavam o
português, além de gente com língua sem similaridade com o latim.
Esse
desencontro foi superado pela linguagem universal do amor, porque não adianta
todos usarem a mesma língua se não houver a excelência nas relações. Os bons
sentimentos superam a falta de um código comum.
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