AGENDA CULTURAL

11.7.17

Para quem tem o marido que não sabe trocar um botijão de gás

Mas há mulheres casadas alugando marido, porque a coitada se casou com um sujeito que não sabe trocar uma lâmpada, um verdadeiro moscão

Hélio Consolaro* 

Atualmente se aluga qualquer coisa. Há gente, como se diz na linguagem nordestina, que aluga as partes. Pagou, está aí, fazemos o serviço. Há até partido de aluguel.

Comer de marmita, por exemplo, cai o valor. Se no lugar usarmos a palavra marmitex, já muda de figura, parece um produto mais moderno. Assim funciona o marketing.

O Sebrae é que anda ensinando essa criatividade ao pequeno empresário: frango frito no balde, por exemplo. É o mesmo galináceo, não muda nada, mas no balde traz valores agregados. É o mercado se reinventando, a crise força a invencão. É kit disso, kit daquilo. 

Outro dia, circulando pelas ruas de Araçatuba, passou um veículo, se não me engano, um furgãozinho, com o letreiro: marido de aluguel. Se eu fosse um capiau, ia ficar imaginando quais serviços prestam um "marido de aluguel" ou qual é a mulher doida que aluga o seu marido para as outras. 

Meu sobrinho que era meu passageiro também viu e fez uma observação:

- Será que o serviço é completo?

- Do jeito que há tantas mulheres sem marido...

Rimos muito. E prometi fazer uma crônica para ajudar quem vive de seu próprio negócio, tira leite de onça. Afinal, o humor é uma forma de encarar a vida com alegria, apesar das dificuldades.

Mas há mulheres casadas alugando marido, porque a coitada se casou com um sujeito que não sabe trocar uma lâmpada, um verdadeiro moscão. Então precisa alugar um marido, uai, para arrumar a torneira, esticar o varal, etc.

Eu não sou hábil em todos os consertos domésticos, mas sei encabar uma vassoura, por exemplo. Tenho minha caixa de ferramentas. Às vezes não sei consertar tudo, mas detecto qual é o defeito e qual profissional procurar. E se for o caso, chamo o marido de aluguel.

Então, garota, se o maridão não faz, chame um, há muitos anúncios no Facebook. Quem sabe um príncipe pode tocar a campainha de sua casa...  

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

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