AGENDA CULTURAL

24.3.19

Ciência: Por que o dente “coça” ao “nascer”? - Alberto Consolaro


Para a coceira, o termo mais apropriado é “prurido”. A pessoa com prurido, simplesmente está coçando! Existem várias causas para a coceira e quase sempre tem alguma relação com uma substância ou mediador liberado por uma célula muito especial do nosso corpo e chamada de “mastócito”. O prurido, além de coceira, também é chamado de comichão!

Os mastócitos estão na pele e mucosas, logo abaixo da superfície, inclusive na boca. Em cada mm3 da pele se tem até 10 mil mastócitos e, abaixo da mucosa bucal, 20 mil. Nas alergias comuns, as causas provocam uma explosão destas células que não morrem por isto, mas liberam um verdadeiro espirro de histamina cada uma. Ela é o mediador mais eficiente e comum do prurido, a popular coceira! Além de induzir o prurido nos nervos, a histamina também provoca a dilatação dos vasos da região com edema ou inchaço da região.
É por isto que o alérgico vive coçando o nariz na rinite, olho, pele e outras regiões. Deve ser por isto que se tem o sábio ditado popular: “trair e coçar, é só começar! “ Mas, vamos com calma, trair não tem nada a ver com os mastócitos e nem com a histamina, pelo menos ao que  eu saiba cientificamente, mas o prurido sim.

ERUPÇÃO
Quando um dente aparece na boca, se diz popularmente que “nasceu”, mas é mais sofisticado dizer que ele irrompeu! Pode se afirmar ainda que o dente sofreu ou fez uma erupção na boca. O vulcão pode entrar em erupção e uma irritação na pele como a brotoeja, também pode fazer uma erupção cutânea. No entanto, dente, vulcão e brotoeja não “erupcionam” por que este verbo não existe na língua portuguesa. O termo erupção é um substantivo que pode ser livremente usado sem ferir o bom português, mas não como um verbo!

Na fase de erupção há uma inflamação dos tecidos gengivais antes do surgimento do dente com uma dor ou desconforto por alguns dias. Ainda juntos, estariam a irritabilidade, alteração do sono, salivação aumentada ou sialorreia, diminuição do apetite, febre e dor de ouvido. A erupção dos dentes decíduos já foi equivocadamente relacionada a tosse, bronquite, diarreia, febre e até convulsões.

A erupção é fisiológica e não se justifica associá-la com febre e distúrbios sistêmicos como gripes e resfriados que podem ser apenas coincidentes ou superpostos.

A erupção dos dentes pode acontecer em vários momentos da infância e associam o seu aparecimento na boca com vários sinais e sintomas, sendo o mais comum uma coceira ou prurido gengival com um desconforto no local onde o dente irromperá! Ao permitir que a criança morda ou quando se esfrega o dedo, chupeta ou outro objeto no local, parece que a criança sente um alivio este desconforto, como se estive coçando e aliviando.

PESQUISA
Esta sensação de prurido e desconforto já foi atribuída a várias causas, mas de forma empírica ou incompleta. Cientistas da Unesp de Botucatu e Usp de Bauru, liderados por Solange O. Braga Franzolin, apresentaram os resultados de pesquisa em gengivas de crianças que praticamente explicaram esta coceira gengival. Quando o dente sai do osso e fica abaixo da mucosa gengival, há um aumento significante de mastócitos que descarrega uma grande quantidade de histamina, induzindo prurido nos nervos e desconforto pela dilatação dos vasos sanguíneos e inchaço ou edema. Saiu na “Dental Press Journal of Orthodontics” de março!

Mas por que os mastócitos aumentariam na região quando o dente sai do osso e fica subgengival? A criança, ao morder e pressionar a gengiva contra o dente abaixo dela, machuca a delicada membrana ou folículo que reveste e protege o esmalte, deixando-o exposto aos tecidos. Este esmalte tem proteínas diferentes que estimulam mecanismos da degranulação com explosão dos mastócitos e derramamento de muita histamina, seguida de discreta inflamação.

A gengiva ficará inchada, vermelha e coça-se muito. Se desejar aliviar a coceira e o desconforto local, o ideal não é deixar a criança morder objetos duros que vai machucar mais ainda os tecidos. Deve-se coçar delicadamente com os dedos protegidos, deixar objetos macios para morder e ter muita paciência e carinho. Em alguns dias, a maior parte da coroa do dente vai estar “soberana” na boca!
Comemoremos!


Alberto Consolaro Professor Titular da USP de Bauru

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Observatório
Sarampo– Os primeiros casos de sarampo no Brasil vieram da Flórida, EUA, onde pessoas que não vacinaram seus filhos os levaram para se divertir. Assim a doença se esparramou pelo mundo. Depois, a doença veio com os imigrantes. Pesquisa nova com mais de 657 mil crianças vacinadas contra o sarampo na Dinamarca entre 1999 e 2000 concluiu: “a vacina tríplice (sarampo, caxumba e rubéola) não eleva o risco de autismo, nem provoca autismo  em  crianças suscetíveis e nem está associada ao surgimento de autismo depois de campanhas de vacinação!” No “Annals of Internal Medicine”.
  
Câncer: As pesquisas que sugerem aumento de risco de câncer frente a determinadas situações são publicadas continuadamente. Trabalhos recentes têm revelado que alguns medicamentos muito usados e acessíveis pelo custo e eficiência em certas doenças, aumentam a chance de se ter algum tipo de câncer pelo uso prolongado. Entre estes medicamentos estão o omeprazol, o anti-hipertensivo hidroclorotiazida e a popular aspirina. Dialogue com seu médico!

APENAS PARA DEPRESSÃO PÓS-PARTO
 A FDA, a Anvisa estadunidense, aprovou o primeiro medicamento desenvolvido especificamente para a depressão pós-parto chamado de “brexanolone” e vendido  com  a marca Zulresso. A droga é intravenosa em sessões de 60 horas em condições rigorosas de controle. A depressão afeta 13% das mulheres na gravidez e de 10 a 15%, no pós-parto. 
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