AGENDA CULTURAL

5.8.26

Morreu afogado


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

O cidadão morreu afogado nas águas da Prainha Municipal de Araçatuba-SP no último domingo. Trata-se dum lugar público para lazer.

Eu, quando vou à prainha, posso morrer afogado num copo de cerveja. Mas nunca morrerei nas águas do Rio Tietê, porque minha mãe até hoje não deixaria. Por isso cheguei aos 77 anos.

Se tentasse entrar nas águas, seria uma surra de varinha, lembranças da meninice. Dona Augusta estaria hoje com 100 anos.

TAVEIRA MALDITO

Depois de quase um século de espera, Engenheiro Taveira vive a maior transformação de sua história.

O bairro de Araçatuba fundado em 1927 às margens da ferrovia (antiga estação Potiguar), o bairro Engenheiro Taveira começa a superar uma espera de quase um século por infraestrutura. Eng. Taveira certamente era um profissional que trabalhou na construção da antiga ferrovia.

Diz a lenda de que há muito tempo moradores bateram num padre em Taveira, lá tem uma capela, e ele, que não perdoava facilmente, rogou a praga em latim: "Anathema sit!".

Ninguém entendeu nada. A verdade é que Eng. Taveira não foi para frente. Aí veio a lenda.

Cada povo interpreta a realidade conforme seus conhecimentos. Na verdade, Taveira foi vítima de circunstância históricas desfavoráveis. 

PRECISAMOS DE UMA ARCA

Minha mãe era ligada ao fim do mundo. Se ela estivesse viva, neste momento com incêndio de um lado do mundo e dilúvio do outro, ela estaria querendo fazer a arca. Mas cadê o Noé? Deus não encontrou uma pessoa justa.

Segundo o texto bíblico, diante da corrupção da humanidade, Deus decidiu enviar um grande dilúvio para purificar a Terra. Noé, descrito como um homem justo e íntegro, recebeu instruções para construir uma gigantesca embarcação: a arca.

Atualmente, a humanidade está dividida. Os negacionistas dizem que largue pra lá, a Terra não vale mesmo a pena. Os outros, esperançosos, querem consertar os efeitos dos erros cometidos pela humanidade. Ainda há tempo.

ESTUPRAVA A CADELA

Zoofilia: zoofilia é a atração sexual de pessoas por animais e a prática de atos sexuais com eles. Não sei se o sujeito era tímido, misógino, ou nasceu com o espírito canino. Na zona rural, quando a relação sexual entre pessoas era disciplinada, havia a égua barranqueira. Este cronista aprendeu a saber que havia sexo vendo os animais treparem. Tanta mulher querendo amar, e o cara cruzando na marra com uma cadela. Talvez quisesse o nascimento de um homem-cão.



29.7.26

Guarda municipal prendendo bêbado

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Não era comando, pegou sujeito alcoolizado sozinho. Levou-o pelo cangote.

E o cara é policial penal descumprindo a regra. Lascou-se. Não houve perdão corporativo, foi levado ao delegado.

As guardas municipais agora têm poder de polícia, não é um guardinha qualquer que apenas cuida de prédios públicos. Isso é bom, a população se sente mais protegida.

Já foram chamados de guardinhas da Germínia. Sem preparo, sem exercícios físicos, a barriga e a bunda cresciam. Agora a situação é outra.

Outro dia fui a Birigui, vi os guardinhas arrastando armas pesadas. Dava até dó. Não sei se a prefeita continua pondo o pelotão no sacrifício.

Em Araçatuba, neste ano, fui abordado duas vezes pelo comando do bafômetro. Nas duas vezes, mostrei a língua para o policial militar, assoprei e não constataram nada. O setentão aqui anda arisco, pois quando está trolado está montado num 99 (motorista se aplicativo).

PROFESSORA MUNICIPAL

As professoras estaduais se acharam aliviadas, não somos nós; Tarcísio Freitas, governador, empurrou o caso para Lucas Zanatta, prefeito. A professora é feia ou bonita? Beleza se põe em sala de aula? 0 concurso púbico exigia honestidade? Vai ver que ela ouviu a frase: quem não rouba nunca fica rico. Sei lá... Isso é coisa para o delegado.

INFLUENCIADORA

Num rolo qualquer, de repente surge da lama uma influenciadora qualquer,  só rolo.

Senhor Valdomiro Zago, Sapataria Belas Artes, fez a vida como sapateiro em Araçatuba, se hoje é o Rei dos Calçados, nunca precisou de uma influenciadora.

Essa função só cria espuma, só impressiona os incautos, não produz nada.

Meus leitores andam me chamando, para minha ira, de influenciador.

Eu respondo:

- Sou cronista!

E eles respondem com maior graça:

- Nem cronista e nem influenciador serve para nada. São sinônimos.

FRENTISTAS LERDOS

Eu abasteço meu carro sempre no mesmo posto de combustíveis. Procurar sempre o combustível mais barato, dançando para lá e para cá, é transferir a diferença de preço na oficina mecânica.  

E no meu posto preferível, sempre dou gorjeta, assim os frentistas ficam espertos. Pedem para calibrar os pneus, verificar o óleo. Estão sempre prontos para servir.

Não se trata de corrupção, é colaborar com seus baixos salários.

 

 

28.7.26

Elena Ferrante: feminilidade ao extremo


 Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba 

ELENA FERRANTE: feminilidade ao extremo

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor- Araçatuba

Na Itália, a napolitana Elena Ferrante combina um enorme orgulho cultural pelo sucesso internacional com um debate fervoroso sobre seu anonimato e o retrato nu e cru da sociedade italiana. Semelhante a Paulo Coelho no Brasil. Ambos são fenômenos mundiais.

As protagonistas de seus livros são mulheres, com o tema entre feminismo e maternidade. Filhos cansam, deixar os filhos com o pai e sumir no mundo por um período para exercer sua individualidade é uma prática de suas personagens.

​​A Tetralogia Napolitana transformou Ferrante no maior fenômeno da literatura italiana no exterior desde Umberto Eco. Isso gerou um forte orgulho nacional, mas o mistério envolvendo a sua identidade divide a imprensa e o público.

Os quatro livros da série

Os livros devem ser lidos na ordem cronológica de publicação:

1.A Amiga Genial (2011): Introduz a infância e a adolescência das personagens na periferia de Nápoles. É considerado um dos melhores livros do século XXI pelo jornal The New York Times.

2.História do Novo Sobrenome ( 2012): foca na juventude, no início da vida adulta e nos casamentos e caminhos divergentes que as duas começam a trilhar.

3.História de Quem Foge e de Quem Fica (2013): explora a maturidade das protagonistas em meio aos movimentos políticos, greves operárias e transformações sociais dos anos 1970.

4.História da Menina Perdida (2014): o desfecho da saga, focado na velhice das amigas, no retorno às origens e nas consequências das escolhas de uma vida inteira.

Outros Romances

Um Amor Incômodo (1992): Uma mulher investiga a morte estranha da mãe em Nápoles.

Dias de Abandono (2002): O drama de uma mãe sozinha após o fim do casamento.

A Filha Perdida (2006): Férias na praia que trazem lembranças difíceis sobre maternidade.

A Vida Mentirosa dos Adultos (2019): O crescimento de uma jovem em meio a segredos de família.

OUTRAS OBRAS DE NÃO FICÇÃO

Uma Noite na Praia (2016): Livro infantil sobre uma boneca que passa a noite sozinha.

A Frantumaglia (2016): Cartas, entrevistas e reflexões sobre a sua escrita.

As Margens e o Ditado (2021): Textos Sobre o ato de ler e escrever

Quando uma investigação jornalística tentou desmascarar Ferrante em 2016, rastreando registros financeiros, a reação da comunidade leitora na Itália foi de forte repúdio à violação de sua privacidade. Segundo a autora, para se gostar de uma obra, admirá-la, não precisa conhecer o nome do autor, família, biografia etc Numa população de 60 milhões de habitantes, que é a da Itália, em tempo de internet, é difícil descobrir o nome que está atrás de um pseudônimo. Há especulações, lendas.​  

Elena Ferrante é uma escritora pós-guerra, terminada em 1945. No início de sua carreira literária, seus livros eram criticados pela direita de Nápoles como honestidade visceral, cidade onde nasceu. Outro aspecto constatado é que seus livros traziam um preconceito contra o Norte da Itália. O sucesso Internacional calou as vozes discordantes na Itália. 

FONTES: leitura de artigos e dados nos arquivos da IA; leitura de livros da escritora. Principalmente “Frantumaglia”, onde ela explica seu processo de criação literária, o caos interior, termo do dialeto napolitano. Assisti a vários filmes baseados em livros dela, com seus enredos.

 

21.7.26

Fábrica de carme




Araçatuba acordou com uma nomenclatura: fábrica de carne. Um lugar normalmente chamado de açougue, casa de carnes. Logo, logo vão chamar granja de fábrica de ovos.

Toda a mercadoria clandestina (que incluía espetinhos, hambúrgueres e linguiças) foi levada em um caminhão basculante para destruição no aterro sanitário. O estabelecimento foi interditado e o caso segue sob investigação da Polícia Civil. A vizinhança que denunciou o estabelecimento disse que o lugar fedia carniça. As autoridades encontraram 2.700 kg de carne crua.  

Segundo autoridades sanitárias, na fábrica de carne não havia muita higiene. A carne de espetinhos vendidos em calçadas saía de lá. Até o povo esquecer, os comerciantes de beira de rua vão perder a freguesia.
Comida limpa, feita na higiene é a da minha mãe, a comidinha caseira; nem tanto, mas é com ela que estou acostumado. Quando Araçatuba era mais provinciana, comer fora de casa aos domingos era uma raridade. Agora, os comerciários, durante os trabalhos diários, comem uma comida ligeira em lanchonetes, não vai para casa. Marmitas daqui e dali.
Alguns comerciantes só querem ganhar dinheiro, aumentar os lucros, não pensam em servir bem os seus clientes.

NEM TUDO ESTÁ PERDIDO

Lecionei cinco anos em Rosana-SP (1972-1977). Não havia energia elétrica. Matava-se boi no pasto em final de semana. Durante a semana, comia-se galináceo. Cortava-se o bovino a "zóio". As partes da rês tinham um valor só. Como o povo não valorizava o filé-mignon, tomei porre.
Não havia posto de saúde, nem médico. Higiene cabocla. Vivia-se. Cemitéro não faltava.
Voltei para Araçatuba, me enquadrei aos novos padrões.

TODA MADRASTA É MÁ?

Flávio chegou a ter inveja do pai Jair por ter arrumado madrasta tão linda. Teve maus pensamentos. A família misturou política com relacionamento que a fada virou madrasta bruxa. Agora ela quer dar veneno ao seu enteado. Flávio não entende as mulheres, é um misógino.

FAKE NEWS EM RUBIÁCEA

Rubiácea-SP tem 2.700 habitantes. Na verdade, são boateiros, fuxiquentos. Em anos atrás, esse problema era resolvido na porrada, não precisava tanta burocracia.
Já morei em cidade do tamanho de Rubiácea. Um habitante solta um pum na esquina, a cidade inteira fica sabendo em 10 minutos.
E de que partido são os dois boateiros? PL, aquele bando de mentirosos.

JOGADOR ARGENTINO RECUSA
Um jogador da Argentina recusa o aperto de mão de Donald Trump na fila de cumprimentos e passa direto por ele após a derrota. Trata-se de Cristian Romero. Foi chamado de comunista pelo presidente norte-americano.

15.7.26

Tietê poluído em toda sua extensão

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

Sempre eu disse a amigos de outras cidades que o rio Tietê em Araçatuba não é poluído. Descobri recentemente, com frustração, por uma reportagem do portal IG que não existe lugar não poluído do nosso caudaloso manancial. Há níveis de poluição.

Tietê é um rio que quase nasce no mar (Sales-SP, onde é limpo) e deságua no rio Paraná, sendo essencialmente paulista, 1 100 km. Em Araçatuba, fornece água para o consumo depois de tratada, e em sua margem há belíssimos locais para o lazer. Por ele, passa uma longa ponte ligando as duas partes do estado.

Um estudo inédito apresentado pela deputada Marina Helou (PSB), na Assembleia Legislativa de São Paulo (Alesp) derruba essa percepção. Pela primeira vez, uma expedição percorreu toda a extensão do Tietê e concluiu que não existe mais nenhum trecho completamente livre de contaminação.

Sofre há décadas com o impacto do esgoto doméstico, resíduos industriais e descarte incorreto de lixo. Na época das secas, a poluição sacrifica mais o Tietê.

 Em Salto, ao passarem pelas corredeiras e quedas, a agitação da água produz enormes camadas de espuma tóxica com a poluição trazida da Grande São Paulo, que pode causar irritações na pele e nos olhos.   

A despoluição do rio Tietê, principalmente na Grande São Paulo, sempre é objetivo dos governos estaduais, mas as ações caminham lentamente, principalmente no governo Tarcísio. O rio precisa constar com força na pauta dos candidatos. 

SÍNDICO E PREFEITO

Em Araçatuba-SP, há tantos condomínios, tantos verticais como horizontais, que há contabilistas e advogados especializados prestando serviços na área.

Poucos condomínios não têm uma questão jurídica a ser resolvida diante da pequenez humana, não são diferentes dos políticos. O cantor Tim Maia era chamado de síndico pelos artistas, porque queria consertar o Brasil.

Erroneamente chamam os prefeitos de síndicos, pois os prefeitos são lideranças maiores, com uma visão global do mundo. O prefeito antigo tinha as obras para ver, o atual tem educação, saúde, cultura, assistência social e muitos outros encargos.

Os síndicos não são prefeitinhos, mas ajudam o prefeito na manutenção da cidade mantendo seus condomínios em ordem. Solidários. Que todos os síndicos se levantem todos os dias bem-humorados. Assim construiremos dias melhores.    


8.7.26

Ser humano na caverna

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

A professora Michele Ramos, da EMEFI Prof.ª Ildete Mendonça Barbosa, em São José dos Campos-SP, afirmou, em entrevista ao programa Alô Você Vale, da afiliada TH+ SBT, na quarta-feira (1º/7/2026), que não pretende voltar à sala de aula por enquanto após três alunos colocarem pedaços de vidro em sua garrafa de água.

INFORMAÇÃO DA INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL:

A ingestão ou presença de vidro moído no estômago é uma emergência médica grave. Fragmentos cortantes podem causar cortes, inflamações e perfurações no esôfago, estômago e intestinos. Complicações como hemorragias ou peritonite exigem atendimento hospitalar imediato.

MEU MAGISTÉRIO 

Com 40 anos de magistério no fundamental 2 e ensino médio, tenho algo a dizer sobre o assunto: violência na escola. Até dei meu rosto para aluno bater, mas ele baixou a mão. Diretor queria chamar pais, suspendê-lo das aulas, eu o removi de tais intenções: eu fui brusco com ele, ficou nervoso. 

Voltei para Araçatuba em 1977, como professor efetivo. Naquela época não tinha promoção automática, havia disparidade de idade com a série. Cada cavalão na quinta-série. Logo que cheguei, numa sala, apoiado em chiclete, enfiaram alfinete com a ponta para cima na cadeira em que eu ia me sentar. Queriam furar meu bumbum. Vi a tempo.

Também no período noturno, numa sétima série, apostei com a classe que o Palmeiras ia ganhar da AEA num jogo em São Paulo, caso acontecesse ao contrário, eu ia entrar à sala caminhando de joelho na próxima aula. E a desgraça aconteceu, cumpri a promessa sob os apupos dos alunos.  

Uma gangue do bairro São José entrou na escola, eu estava de aula vaga. Os delinquentes bateram em servente e bedel. Saí no pau com eles. Chamaram a polícia para denunciar que eu havia batido em menores. Os soldados fizeram a ocorrência dizendo que eles bateram nos funcionários e ignoraram a denúncia deles. Agradeço a polícia até hoje.   

Tenho casos de conflito em escola que dá livro, mas meu objetivo aqui é mostrar que a juventude sempre dá trabalho. 

Naquela época não havia redes sociais, o jornalismo tinha a prática do balcão, os fatos sociais e a violência ficavam entre paredes.  

SÓCRATES

O filósofo reclama bem antes de Cristo da juventude:

“Os jovens de hoje adoram o luxo. Têm maus modos, desprezo pela autoridade. Não têm respeito pelos mais velhos e passam o tempo a falar em vez de trabalhar. Contradizem os pais, tiranizam os seus mestres e cruzam as pernas.”

A tecnologia evoluiu, mas o ser humano continua aquele da caverna, com todos os sentimentos inalterados. Somos os mesmos. Antigamente não era melhor, era diferente.

 

 


2.7.26

Copa 2026 - Alemanha


Hélio Consolaro é professor, jornalista e 
escritor.          Araçatuba-SP

O primeiro jogo da Alemanha na Copa do Mundo foi Curaçao, uma ilha do Caribe, turística. Timinho qualquer. Marcou o mesmo placar de 7 a 1 de 2014 em jogo com a seleção brasileira. Todos os times tremeram: Alemanha, a terrível, voltou.

Naquela noite, na mesa de debates da globo estava Felipe Scolari, técnico da seleção brasileira que levou a mesma goleada da Alemanha. Armação ou ironia do destino?

Olhei na TV e me deu dó. Não ia ter jeito da mesa debatedora fugir  do assunto, fazer ouvidos moucos. Virou, mexeu, pá! “E a Alemanha de 2014, Felipão?,”

Apagão, conversa de vestiário, possibilidade de acontecer com qualquer time. 7 a 1 ou 1 a 0 são a mesma coisa. Foram argumentos do Felipão.

No outro dia, Felipão não fazia mais parte da mesa de debates do programa de André Rizek.

Nas rodadas seguintes, Alemanha perdeu do Equador e do Paraguai. Voltou para casa. Era a maldição de 2014, bateu demais, Deus não gostou.

VEREADOR DE ARAÇATUBA PRATICAVA RACHADINHA

A operação da Polícia Civil realizada nesta terça-feira (30/6/2026) teve como alvo o gabinete do vereador  Damião Brito (REDE), na Câmara Municipal de Araçatuba, e a residência do parlamentar. Os mandados de busca e apreensão fazem parte de um inquérito que investiga uma denúncia de suposta prática de "rachadinha" — desvio de parte dos salários de assessores em benefício de agentes públicos.

A investigação foi instaurada após denúncia apresentada, em outubro de 2025, pela ex-chefe de gabinete do vereador, a psicóloga Jéssica Piccinin. Segundo o relato dela, foi informada de que receberia salário de R$ 2,5 mil, mas descobriu que seu vencimento oficial seria superior a R$ 13 mil, levantando suspeitas sobre a destinação da diferença (SITES JORNALÍSTICOS DE ARAÇATUBA)

Tal vereador não foi cassado por seus pares na época da denúncia. Levantou-se a hipótese de que havia mais vereadores fazendo o mesmo na Câmara Municipal de Araçatuba. Em outubro de 2025, puseram uma pedra sobre o assunto e o vereador continuou o seu mandato. Deve ter pensado: “Dessa escapei”,

Mas Damião não sentiu o compromisso do perdão. Ou tinha mais algum e o parlamentar da REDE ameaçou denunciá-lo ou denunciá-la, pois há duas vereadoras mulheres. Dessa ameaça, não tenho conhecimento.

E assim continuou a jogar pedra na situação, chegando a ser radical. Assim, alguém da situação gritou: “vamos pôr fogo no rabo de palha dele?”  E assim surgiu a situação atual.

Como dizia minha avó, que lia Nicolau Maquiavel, quem tem rabo de palha não deve pôr fogo em rabo alheio. Em política, quando o adversário não tem rabo de palha dê um jeito de por um nele. Guardaram o rabo de palha do Damião para momento oportuno. Estão usando agora.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ

  


25.6.26

A chuva é tempo bom

 

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP 

A chuva é o encontro do céu com a terra. A parte água de meu corpo vibra com a chuva. Sujar a água de nosso ambiente é poluir nosso corpo, é pegar doença.

Como é bom receber a água mansa da chuva, sem derrubar casas. Apesar de os donos do mundo terem tido arrebentado com a nossa natureza, em Araçatuba e região, ainda não fomos castigados com tempestades.

A chuva é o e encontro da terra com seus habitantes. Aleluia!
SEMENTES NEGRAS
Quando vejo jovens se alinhando suas vidas com a arte, principalmente sendo pobres, eu me entusiasmo. Assim foi com a apresentação do grupo "Os Hedonistas", de Birigui. que teve seu projeto financiado pelo Ministério da Cultura.
Eles apresentaram o texto da escritora afrodescendente brasileira Conceição Evaristo teatro São João de Araçatuba na segunda-feira, 22/06/2026.  
SINOPSE: Maria, uma mãe solteira que leva melão para os filhos que nunca provaram a fruta. Zaíta, uma menina em busca de sua figurinha flor na favela. Lumbiá, um menino esperto que vende chicletes e flores pela cidade, sonhando em ver o famoso presépio do casarão no Natal.
Entre violência, miséria e resistência, corpos pretos florescem. Negras Sementes é um espetáculo denunciando a condição do povo negro em nosso país.

HIROSHIMA NAGASAKI

De repente me vi convidado para um ato público com o título OS TRÊS SOBREVIVENTES DE HIROSHIMA, teatro da Associação Nipo, em Araçatuba, que possui um sala para 500 pessoas. Nesses tempos de guerra em que vivemos, em que um louco comanda o mundo, um espetáculo desse naipe se transformou num ato pela paz. A promoção foi do SESC. Casa cheia. Quinhentas pessoas. Fui com a Fátima Florentino e lá me encontrei com o ex-aluno Marcelo Tutumi.

24.6.26

São João, menino do povo - Luiz Antonio Simas

Que não percamos, abençoados por João Menino, as dimensões encantadas de renovação da vida.


Há quem implique com as festas populares, encarando-as como celebrações que alienam as comunidades dos perrengues do cotidiano, como se fossem ritos de esquecimento sem maiores profundidades. Há quem confunda festas com eventos desprovidos de sentidos mais amplos que o da mera celebração escapista de datas estabelecidas pelo calendário.

Minha maneira de encarar as festas é outra. Encaro os festejos populares como ritos de reavivamento de laços sociais. É nas festas, sobretudo nesses tempos marcados pelo esfacelamento dos sentidos comunitários da vida, que o indivíduo se dissolve novamente na coletividade, fortalece pertencimentos, tece sociabilidades e cria redes de proteção social. Festejar é também, dentre diversos outros sentidos, insurgir-se contra a desumanização, o individualismo e a decadência da existência como experiência compartilhada.

Junho é o mês de São João Batista, primo de Jesus Cristo. Ele aparece nas escrituras como um profeta de poucos amigos, que comia gafanhotos no deserto e não sorria. Decapitado a mando de Herodes Antipas, o pregador iracundo virou na cultura popular o São João do Carneirinho e das capelinhas de melão.

A igreja santificou o homem. O povo humanizou o santo. Entre nós não prevaleceu o pregador furioso, moralista e incorruptível, que não deu trégua ao trio Herodes, Herodíades e Salomé e urrava aos ventos contra a união, que desmoralizava a lei de Moisés e envergonhava a Galiléia. Batista conclamava o povo a apedrejar o casal que aviltava as escrituras.

O nosso São João é o menino, filho de Isabel, primo de Jesus, aconchegando no colo o Cordeiro de Deus. O raro santo comemorado no dia do nascimento, e não da morte. É linda a infantilização de João, o profeta que virou criança no cristianismo popular.

E o que dizer da fogueira, forte nos ritos agrícolas pagãos e reimaginada pela cristandade popular e não canônica? Diz a tradição que Isabel mandou acender uma fogueira quando João nasceu, para que Maria, grávida de Jesus, recebesse a notícia ao ver os fumos subindo. A fogueira, portanto, anuncia a chegada da criança e a afirmação da vida do menino, celebrada em estandartes e bandeirolas, no milho assado, no quentão, nos sortilégios da boa sorte.

A beleza maior que vejo em São João é mesmo essa: não louvamos o João dos testamentos, mas o aconchegado pelo povo. Não o profeta decapitado, mas a criança encantada e de caracóis nos cabelos que brinca na fogueira e comemora a renovação da vida pela alegria da festa.

Um evento da cultura não pode sucumbir à cultura do evento. Um evento da cultura é orgânico; guarda sentidos profundos e organiza o mundo. A cultura do evento mensura tudo pela sanha do mercado, pela financeirização desencantada da vida, pela urgência do tempo da produção, da disciplina e do relógio. Não nos enganemos. As celebrações de São João, e o mesmo vale para o carnaval, correm esse sério risco.

Conforme disse certa feita, a festa é a nossa maneira bonita de rezar o mundo. Que não percamos, abençoados por João Menino, as dimensões encantadas de renovação da vida.

*Luís Antônio Simas - estudioso da cultura popular 

20.6.26

A Copa do Mundo é preta


Deve ser legal
Ser negão, Senegal
Deve ser legal
Ser negão, Senegal (Mamãe África, Chico César)  

Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

A canção, lançada em 1996, é uma homenagem às mães solo e à identidade negra. No refrão, a estrofe expressa um sentimento de identidade, pertencimento e orgulho. O autor imagina como seria viver em um país onde a população negra é a maioria, celebrando a cultura e a autoestima em um ambiente sem o peso e o racismo estrutural frequentemente enfrentados por pessoas negras no Brasil. (IA GOOGLE).

Acompanho os jogos da Copa do Mundo 2026. Não contei e nem tive acesso a dados estatísticos, mas acho que os atletas afrodescendentes são maioria, principalmente nos países que tiveram colônias na África.

No Brasil, já demos passos adiante quanto ao combate ao racismo no futebol e fora dele. Descobrimos que não estamos atrasados.

A Copa do Mundo é preta, mas os brancos comemoram como se deles fosse a vitória.

EM CADA COPA, MUDAM OS JOGADORES. A TORCIDA TAMBÉM

Em 1994, ano do tetra, meu irmão Gervásio reuniu a família, num quiosque da AFRESP, clube rural dos fiscais de renda em Araçatuba, rodovia Rondon. E vai churrasco!

A cada copa, o grupo se modifica. A do tetra, 1994, foi destruído. Faz 32 anos. Uma turma de brasileiros torcendo contra sua pátria originária: Itália.

A CHUVA DE CADA UM

Não vou escrever sobre tempestade, nem de chuva na favela. Aprendi que chuva é um fenômeno abençoado, vinha regar a roça que meu pai plantava.

A casa cheia de goteiras infernizava a vida de minha mãe

Não existia TV, as crianças arrumavam um jeito de brincar. Hoje os pequenos brincam no celular. Deixei de ser criança, sou um velho, mas brinco no celular escrevendo textos. Até de repente dormir.

A chuva para mim ainda é uma bênção, mas para muitos não é um momento tranquilo.

ROSANA, MARILENA E NOVA LONDRINA

Peladas domingueiras..Naquela época da jornada 6x1, quando o descanso dominical era garantido pelo padre e o pastor, homem que era homem batia uma bola

Quando comecei o magistério nos cafundós do Pontal do Paranapanema, apesar de jovem não jogava futebol, o professor era o presidente do time. Assim jogava-se nas cidades vizinhas. Caminhão do sitiante levava time e torcida. Carroceria lotada.

Assim, a gente empurrava os dias, não havia vida melhor.

POLÍTICO GAGO

Claudio Castro era gago, sim, o ex-governador do Rio de Janeiro é gago. Ele próprio assumiu publicamente a condição, afirmando que a gagueira foi um desafio que precisou superar desde a infância, período em que chegou a sofrer bullying.

Ele chegou a abordar o assunto abertamente na política, como em um artigo publicado no jornal Folha de S.Paulo e em sua propaganda eleitoral, buscando desvincular a fala pausada de insegurança. GAGO SIM, MAS CORRUPTO TAMBÉM.


11.6.26

Os miseráveis: literatura e revolução

 


Hélio Consolaro*

“Ser contra a miséria é fácil, difícil é defender os miseráveis” – Vítor Hugo

 A obra é composta por cinco volumes e foi publicado em 1862, quando seu autor Vitor Hugo tinha 60 anos, mas ele trabalhou o livro a vida toda. Nesse caminho, ele era um livro de direita ora de esquerda. Em 1862, a sua publicação foi em defesa dos miseráveis, tendo mudado o nome de “A miséria” para “Os miseráveis”. A mudança do nome significou também uma questão ideológica.

Embora comercialmente o livro seja frequentemente vendido no mercado editorial compilado em volume único, em boxes de 2 ou 3 tomos físicos, o texto integral original concebido pelo autor sempre segue rigorosamente a divisão destas cinco partes fundamentais: volume 1: Fantine; volume 2: Cosette; volume 3: Marius; volume 4: Idílio da Rua Plumet e epopeia da Rua Saint-Denis; volume 5: Jean Valjean.

O livro Os miseráveis, chamado de best seller do mundo, pertence à literatura francesa, tem como autor Vítor Hugo (Victor-Marie Hugo). Seu lançamento foi um evento de caráter mundial.

Os Miseráveis (1862), de Vítor Hugo, é o maior exemplo de como a literatura pode atuar como uma arma de transformação social e política. O livro não apenas narra uma história de ficção, mas faz uma radiografia da injustiça social e do espírito revolucionário da França do século 19.

RESUMO:

Os Miseráveis, obra do escritor francês Vítor Hugo publicada em 1862, é uma crítica social que denuncia a miséria, a desigualdade e a injustiça na França do século 19. A história acompanha a jornada de Jean Valjean, um homem comum que busca redenção após passar dezenove anos preso por roubar um pedaço de pão para alimentar sua família faminta,

Marius Pontmercy: Um jovem estudante de direito que rompe com o avô monarquista e se junta aos revolucionários republicanos. Ele se apaixona por Cosette.

As Barricadas de 1832: O clímax do livro ocorre durante a Insurreição de Junho em Paris, onde jovens tentam derrubar a monarquia. Valjean entra no combate para salvar a vida de Marius, o grande amor de sua filha adotiva. Nas barricadas, Valjean também tem a chance de matar Javert, mas opta por libertar o seu maior inimigo.

O desfecho de Os Miseráveis amarra o destino dos personagens através de intensos conflitos morais: O suicídio de Javert: atordoado por ter a vida salva justamente pelo homem que caçou implacavelmente, Javert entra em crise existencial. Incapaz de conciliar sua rigidez legalista com a moralidade superior de Valjean, ele se atira no Rio Sena.

O casamento: Marius e Cosette se casam. Inicialmente, Marius afasta Valjean ao descobrir seu passado como prisioneiro.

A morte de Valjean: isolado e enfraquecido pela velhice, Valjean recebe o perdão e o reconhecimento de Marius na hora da morte. Ele morre em paz, cercado pelo amor de Cosette e Marius, sob a luz dos castiçais de prata do Bispo.

Vítor Hugo e Karl Marx foram dois dos maiores intelectuais do século 19, contemporâneos que analisaram o mesmo conturbado período histórico, mas por perspectivas políticas e metodológicas fundamentalmente diferentes. Suas ideias moldaram a literatura, a política e a crítica social da modernidade. Os miseráveis continuam a desafiar o leitor da era tecnológica.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro da Academia Araçatubense de Letras

 

4.6.26

Fenômeno das redes sociais, Festival de Bolos em Fatias chega ao Praça Nova neste sábado



Evento reúne mais de 15 opções de bolos recheados, incluindo sabores que costumam esgotar rapidamente e um exclusivo para a edição; uma opção de gastronomia e entretenimento para toda a família no feriado prolongado

Quem passa horas assistindo vídeos de sobremesas nas redes sociais terá a oportunidade de experimentar de perto uma das tendências gastronômicas que conquistaram a internet. No próximo sábado (6), o Shopping Praça Nova Araçatuba recebe o Festival de Bolos em Fatias, evento que reúne mais de 15 sabores de bolos recheados. Serão cerca de 300 quilos de doces ao longo do dia.

A atração acontece no piso superior do shopping, das 10h às 22h, e deve disponibilizar aproximadamente 700 fatias para venda. O festival é inspirado em uma tradição popular do Nordeste brasileiro, onde a comercialização de bolos em fatias é bastante comum, e ganhou ainda mais visibilidade por meio das feiras gastronômicas de Goiânia e da repercussão em plataformas como TikTok e Instagram.

Na região de Araçatuba, o evento começou a circular neste ano, passando por cidades como Birigui, Bilac, Guararapes, Penápolis, Santo Antônio do Aracanguá e Vicentinópolis. Agora, chega ao Shopping Praça Nova trazendo uma seleção de sabores que combinam receitas clássicas e tendências da confeitaria. 

O festival reúne três boleiras: Jéssica Rodrigues da Silva de Almeida, da Delices Gourmet; Ana Carolina Fazano Santana (Carol Fazano) e Cíntia Cristina da Silva (Cíntia Doces Chocolates).

Entre as opções de sabores disponíveis estarão Ninho Suspiro e Morango, Matilda, Kinder Bueno, Floresta Negra, Ninho com Nutella, Pudim com Doce de Leite, Maracujá com Brigadeiro, Ninho com Oreo e Nutella, Ouro Branco, Ferrero Rocher, Red Velvet com Frutas Vermelhas, Abacaxi Folhado, Laka, Olho de Sogra e Browninho com Nutella e Doce de Leite. As fatias, com cerca de 300 gramas cada, serão comercializadas pelo valor único de R$ 20. Para complementar a sobremesa, os clientes poderão escolher uma das três opções de calda: ninho, chocolate ou caramelo, com aproximadamente 50 gramas cada.


Favoritos

Segundo a organização, alguns sabores costumam desaparecer "das vitrines" rapidamente. É o caso do Bolo Pudim, Ninho com Morango e Suspiro e Ferrero Rocher, considerados os campeões de vendas em edições anteriores. Já o sabor exclusivo desta edição será o Folhado de Abacaxi, criado especialmente para o festival realizado no Praça Nova.

Além do sabor, o visual também é um dos atrativos. O bolo Ninho Suspiro e Morango é apontado como o mais chamativo do evento, com camadas generosas de recheio e decoração que costumam atrair os olhares e despertar paladares.

Para uma das organizadoras do evento Jéssica Almeida, o sucesso do formato está ligado à praticidade e à experiência proporcionada ao público. “As pessoas comem com os olhos primeiro. As camadas de recheio, a calda e a apresentação chamam muita atenção. Além disso, o formato em fatias permite experimentar vários sabores sem precisar comprar um bolo inteiro. É uma opção acessível e que agrada desde quem gosta dos sabores tradicionais até quem procura novidades”, explica.

Os bolos são preparados antecipadamente e levados prontos para o evento. Quem desejar poderá consumir as fatias no próprio local, em um espaço organizado especialmente para receber os visitantes.

Para a gerente de marketing do Shopping Praça Nova Araçatuba, Lívia Craidy, o festival é uma combinação de gastronomia e entretenimento. “O Festival de Bolos em Fatias é uma experiência que desperta memórias e proporciona momentos de convivência entre famílias e amigos. Ficamos felizes em receber um evento que faz tanto sucesso nas redes sociais e que oferece aos nossos clientes mais uma opção de lazer e gastronomia dentro do shopping”, afirma.

SERVIÇO
Festival de Bolos em Fatias
Data: 6 de junho (sábado)
Horário: das 10h às 22h
Local: Piso superior do Shopping Praça Nova Araçatuba
Entrada gratuita Valor das fatias: R$ 20
Peso aproximado: 300 g por fatia mais 50 g de calda


Informações para a imprensa

Aline Galcino –

18 99713-5258 



3.6.26

Pensamento complexo

Hélio Consolaro*

CHUPAR LARANJA

Não mais apanho laranja no pé como foi na infância, no pomar, na beira da estrada, agora escolho as frutas na gôndola do supermercado.

Assim é mais fácil na velhice. A minha infância foi sacrificada. Um rapaz e uma mocinha resolveram se casar, só sabiam capinar, trabalhar na roça, aí eu venho a furo numa teimosia sem par, só saí no útero por fórceps.

O casal que parecia desmiolado, formou um professor, um advogado, um dentista e um doutor em computador. Todos homens. Minha mãe foi amada por quatro meninos.

Os quatro estão tendo uma boa aposentadoria, dá para eu comprar laranja Bahia no supermercado. O refluxo não me deixa tomar o porre, mas vou devagarinho, na medida.

Há leitores que me acompanham meus textos há décadas, e me perguntam o porquê de eu mudar o meu estilo de escrever, a abordagem dos temas. Respondo sem fazer rodeios: envelheçi, perdi a fogosidade.

A laranja da Bahia é minha deusa, e noutro dia só havia na gôndola poucas, judiadas. Insisti, selecionei algumas. Ao chupar uma delas em casa, quase entrei em êxtase, era a acidez da mocidade transformada em doçura da velhice.

Não é apenas jogo de palavras, é poesia mesmo.

EDGAR MORIN 

Conheço o intelectual francês, mas judeu de origem, pelo pequeno livro "Os sete saberes" (115 páginas). Os Sete Saberes Necessários à Educação do Futuro, publicado em 2000 pela ONU, cuja leitura fez parte de minha formação para o magistério. Morreu em finais de maio de 2026, com 104 anos. Eu achava que o bom velhinho fosse ficar para semente. Na verdade, deixou plantadas várias sementes em nosso planeta.

PRIMEIRO SABER: as cegueiras do conhecimento: o erro e a ilusão.

O SEGUNDO SABER: os princípios do conhecimento pertinente.

O TERCEIRO SABER: ensinar a condição humana.

O QUARTO SABER: ensinar a identidade terrena.

O QUINTO SABER: enfrentar as incertezas.

O SEXTO SABER: ensinar a compreensão.

O SÉTIMO SABER: a ética do gênero humano.

O PENSAMENTO COMPLEXO foi a semente mais robusta de Edgar Morin é uma abordagem que defende a interconexão de todos os saberes e critica a fragmentação do conhecimento em disciplinas isoladas. Originado do latim complexus, que significa "aquilo que é tecido em conjunto", o pensamento complexo propõe que a realidade não pode ser compreendida de forma simplista ou dividida em "caixinhas", pois o todo e as partes são interdependentes e se transformam mutuamente.

*Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis  Itaperuna-RJ  

27.5.26

Roubo de bicicleta


 ROUBO DE BICICLETA

Hélio Consolaro*

Se em minha juventude houvesse celular com máquina fotográfica, eu estaria nas fotos sempre com minha magrela. Em Araçatuba, a prefeitura exigia licenciamento. Bicicleta tinha placa.

Magrela era como o bicicleteiro chamava carinhosamente sua bicicleta, nada de bike como hoje. Ciclismo não era esporte, era necessidade. As ruas de Araçatuba viviam cheias de bolsōes para estacionamento de bicicletas.

Com a magrela da firma eu exercia minha função de oficie boy. Com minha Monark ou Gorike eu passeava. Carregava as gatas na garupa. À noite, ia para escola a pé para não ter a minha magrela roubada.

Cinema à noite, bicicletas mil estacionadas. Motos não existiam. Até que tive o amargor na boca, a minha Monark roubada. Comprar outra, mais uma prestação. Era pobre roubando pobre.

O roubo de uma bicicleta em Birigui me fez lembrar tudo isso. Saudades. A juventude, mesmo miserenta, é um tempo bom.



MAIS UM DA LISTA

Ouvindo a música “A lista”, de Osvaldo Montenegro, dei um pulo no sofá. E a crônica do Sirlei, o Nogueira? Não fiz.

Antes de ele morrer, combinamos que o sobrevivente (dentre nós) faria uma crônica ao falecido. Com esse trato, tenho postergado a minha morte, pois meus amigos morrem e eu fico.

Sirlei Nogueira, o jornalista, era bem mais moço, morreu primeiro e não cumpri a promessa. Aquela alegria dele na hora da aposta foi falsa. Por isso que de vez em quando sinto um puxão em minha perna enquanto durmo. 

Enteado de Naum Cury, conheci o Sirlei na administração Cido Sério-Carlos Hernandes. Sirlei era homem de confiança do vice-prefeito. 

Pegamos uma amizade tão galhofeira, que para ele eu era o Alemão, o esquecido, mal de Alzheimer eu sintetizava sua vida folgada no apelido “Pilha Fraca”. 

Depois fiquei sabendo que prestava assessoria de imprensa às entidades espíritas, sendo também defensor ferrenho do espiritismo. Admirador de Benedita Fernandes. 

Sirlei Nogueira apresentou um projeto cultural e venceu o edital da secretaria municipal de Cultura com o filme “Benedita Fernandes: uma heroína invisível – o legado da superação”. 

Tomamos muitas cervejas juntos. Nunca ouvi Sirlei maldizer alguém. Rimos muito. 

*Hélio Consolaro é professor, jornalista, escritor. Membro das academias de letras de Araçatuba, Andradina, Penápolis e Itaperuna-RJ


20.5.26

O Brasil virou um negócio da China

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Ando entusiasmado com a China, de seu papel no mundo atual, peitando os Estados Unidos. Ando trocando a nacionalidade de meus aparelhos: celular passou a ser Xiaomi, relógio de pulso digital, aparelho de ouvido. De repente, sem querer, estou comprando roupa chinesas. Só está faltando aprender mandarim. E tudo mais barato.

No meu tempo de estudante, a China era um parâmetro para quem fosse marxista-leninista. Mao Tse Tung era o grande líder, mestre da revolução cultural. Até simplificaram o idioma mandarim para que facilitasse o trabalho de alfabetização das massas.

Vivi a época em que chinês era um produto paraguaio, a mesma coisa, badulaque, coisa malfeita, quebrava à toa. As sacoleiras viveram essa realidade.

De repente, os chineses invadiram o Calçadão de Araçatuba com lojas, depois nossos celulares com sites de venda. Agora foram eliminadas as taxas das blusinhas nas importações chinesas menores de 50 dólares. O mundo é uma grande nação, não tem mais fronteiras.    

COPA DO MUNDO, UMA GUERRA ESPORTIVA

Inventaram as disputas esportivas para substituir as disputas nacionais. Em 2026, como em algumas anteriores aconteceram em meio à guerra  bélica. Com nos outros anos, a Copa do Mundo não aconteceu porque o mundo estava numa guerra pesada.

Em, 2026, quem governa os Estados Unidos, um dos locais do mundo onde ocorrerá a copa, está é um louco, cuja país está em forte tensão. A BBC de Londres disse que os turistas não querem saber de viajar pra lá por dois motivos: futebol é irrelevante e o governo local não oferece segurança, é m louco que quer atirar em todo mundo. Nem o povo que o elegeu, quer saber mais dele.

O melhor conselho dado por Lula a Trump foi para sorrir, o cara é carrancudo demais. Ele não tem a inocência do sorriso no coração. 

Em Jaboatão dos Guararapes, Pernambuco, 700 mil habitantes, cidade praieira, há algumas funcionárias municipais com a função de presidente da república na carteira. No papel, tiveram a função antes de Dilma Roussef.

Se tivesse acontecido comigo, eu ia requerer aposentadoria na função de presidenta. Cargo político é exercido por mandato. Nesse caso, o único que se aposenta por tempo de serviço é o Lula.
Como aconteceu isso em cidade tão progressista? Não me faça pergunta difícil.

Em Araçatuba há vereador com mais de 30 anos de vereança. Quem explica? Não sorri para ninguém...