AGENDA CULTURAL

15.10.21

Sem medo de doar

 


Hélio Consolaro é professor, jornalista e escritor. Araçatuba-SP

Sempre fui favorável à educação financeira das crianças, com mesada, poupar e coisa tal, embora minha meninice não permitisse tais coisas, pois a família vivia dependurada, comprando na caderneta, comendo hoje para pagar amanhã. 

Meu pai fazia acontecer para pagar as contas e estudar os filhos. Aprendi a trabalhar e ganhar meus tostões bem cedo.  

A filha Hélen e o genro Marlon, com quatro filhos (casal corajoso), trabalham a educação financeira deles. Juntar dinheiro para isso, poupar para aquilo. Nessa última semana, aprendi que educar financeiramente os filhos não é ensinar que sejam avarentos e egoístas, conforme ensinam o mercado e o neoliberalismo. Pode se fazer educação, ensinando também a solidariedade, dividir para somar.

O Caio, o mais novo deles, fez sete anos de idade, já está na escola. E uma ex-empregada ligou dando-lhe os parabéns. E afirmou que não ia presenteá-lo com nada, porque estava sem dinheiro.

Caio abriu um berreiro, dizendo à mãe que ia dar o dinheiro de seus guardados para ela. E não houve argumento que o convencesse ao contrário. E sua santa vontade foi realizada. 

Fiquei sabendo da história pela avó, a Helena, então passei uma mensagem paternal via zap: "Parabéns ao Caio, neto aniversariante. Segundo relato da Bá Lena, parece que está nascendo um monge franciscano, ou tibetano, na sua casa. Não deixe o egoísmo matar o monge".

Caio foi levado pela mãe à casa da Bel que lhe entregou cem reais. Ela ficou toda chateada, mas foi convencida pela Hélen de que devia aceitar, ia ser bom para o Caio.

Podia ser Madre Teresa de Calcutá, Irmã Dulce da Bahia, Benedita Fernandes ou Vítor Ribeiro Mazzei de Araçatuba, porém  o mais importante é ser uma criatura boa, sem medo de doar. 

5 comentários:

Unknown disse...

Parabéns Hélio

Unknown disse...

Que atitude linda !

Unknown disse...

Legal

Unknown disse...

Parabéns para o Caio e para você. Bela atitude

Anônimo disse...

E se de fato a humanidade caminhasse assim, poderiamos deixar esta para melhor tranquilos.com o futuro de nossos netos.